Posts

É criminoso o mito bolsonarista sobre a segurança pública

Por Enio Lins 05/08/2026

MITO É SINÔNIMO DE MENTIRA. Significa algo inverídico, inventado para cumprir determinados fins simbólicos, sejam ritualísticos, sejam pura vigarice. Este é o caso da mitologia criada, na versão policial, em torno do Jair, o ex-capitão “treinado para matar”.

TAL MITOLOGIA NÃO
se restringe ao Jair Falso Messias, nem foi inventada por ele – justiça lhe seja feita. Apenasmente, como diria Odorico Paraguaçu, Boçalnaro embarcou nessa velha canoa e nela singra mares sempre dantes navegados. Jair era um pivete de 10 anos quando, em 1965, foi criado o grupo “12 Homens de Ouro” reunindo policiais “treinados para matar” na elite da Polícia Civil carioca. Um grupo de extermínio que se tornou célebre sem ter dado nenhuma contribuição ao combate ao crime, endeusado pela mídia favorável como “eliminadores de bandidos”. Mesmo sob a proteção do regime ditatorial-militar imposto em 1964, a gangue acumulou processos “pela prática de execuções sumárias, abuso de autoridade, corrupção, suborno e a formação do primeiro grande esquadrão da morte do Rio de Janeiro”, como informa a IA Gemini.

ERA A DÚZIA DOURADA:
Mariel Mariscot de Matos, José “Sivuca” Godinho, Aníbal “Cartola” Beckman, Neils Kaufmann “Diabo Loiro”, Euclides Marinho, Hélio Guahyba, Jaime de Lima, Lincoln Monteiro, Nelson Duarte, Humberto de Matos, Elinto Pires e Vigmar Ribeiro. Mariel virou celebridade e símbolo do grupo, vinculou-se abertamente ao crime organizado. Foi executado no meio da rua, em 8 de outubro de 1981, aos 41 anos. Sua trajetória criminosa virou livro: "A Máfia Manda Flores: Mariel, o fim de um mito” (1981, Global Editora). Godinho “Sivuca” virou deputado estadual carioca (1990 e 1994) usando o bordão “bandido bom é bandido morto”. Godinho teve o CPF cancelado pela Covid-19, em 2021, apesar do histórico de atleta. Eram mitos.

ESSA MITOLOGIA
segue viva e matando em áreas dominadas pelo bolsonarismo, como São Paulo. Tarcísio de Freitas, governador bolsonarista, escolheu a dedo seu secretário “de segurança”: Guilherme Derrite, ex-capitão da PMSP acusado por cometer “dez homicídios durante três anos e nove meses de serviço”, segundo a Wikipédia, que informa ele ter declarado publicamente que classificava como “vergonhoso” policiais que “matam menos de três indivíduos em 5 anos de serviço”. O resultado? São Paulo continua entre os três Estados (junto com Bahia e Rio) com mais assassinatos no Brasil em números absolutos, sendo campeão nacional em assaltos cometidos, com 161.313 ocorrências registradas em 2025. Na raia paulista correm soltas quadrilhas como o “Primeiro Comando da Capital (PCC), que opera sem rivais significativos e coordena o tráfico internacional a partir do Porto de Santos” (Gemini). Homem de confiança de Tarcísio e comandante-geral da PM paulista, o coronel José Coutinho foi flagrado em diálogos incriminadores com o PCC, segundo a Operação Janus, deflagrada em julho de 2026 pelo MP de São Paulo.

NO RIO DE JANEIRO,
o exemplo mais escandaloso desse mito é o período em que o general bolsonarista Braga Netto comandou a segurança pública, como interventor, entre 16 de fevereiro e 31 de dezembro de 2018, cuja marca mais notável é o duplo homicídio contra a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, cometido – dentre outros – pelo ex-policial Ronnie Lessa, amigo e vizinho de Jair Bolsonaro no luxuoso Condomínio Vivendas da Barra. E mais, durante a intervenção de Braga Netto, apesar de nenhum problema anterior de segurança pública ter sido resolvido, o ano de2018 “acumulou mais de 1.534 mortes por intervenção policial segundo dados oficiais compilados, configurando um dos maiores patamares da série histórica até então” (G1). Mitos treinados para matar, mentir, e ajudar ao crime organizado.

Charges