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Concerto aos domingos, Selma Britto e o piano do IHGAL

Por Enio Lins 04/08/2026

NO DOMINGO, 2 DE AGOSTO, foi realizada mais uma apresentação do Concerto aos Domingos – programa que oferece um concerto sempre no primeiro domingo de cada mês. O cenário, invariavelmente, é Auditório Orlando Araújo, do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, na Ladeira do Brito. No primeiro domingo de cada mês, uma atração diferente assume a pauta, sempre oferecendo uma agenda musical clássica.

SELMA BRITTO
é a autora da ideia e curadora do programa. Pianista e professora de piano, Selma, há muito tempo, descartou a formalidade do tratamento cerimonial de “Dona” e/ou “Senhora”. Simplesmente é a diva maior da música de câmara em Maceió, e tem igual dedicação à musicalidade popular. Ignorando as limitações etárias, se lança a pesquisar (e participar) in loco os pontos nos quais se pratica a melhor forma de chorinho, samba, pagode, batuque, forró, coco...seja aonde for – botecos, bares e bibocas – Selma chega com seu sorriso aberto, ouvidos atentos e aplausos fartos a prestigiar, incentivar e divulgar onde e quem está praticando música com talento e emoção.

SÃO 25 ANOS DE EXISTÊNCIA 
do Concerto aos Domingos. A ideia foi proposta por Selma Britto, em 2001, sobre a importância do IHGAL tocar um evento perene ligado à popularização da música clássica. Ela apresentou a sugestão numa conversa informal com Jaime de Altavila e Eduardo Xavier (artista plástico, cantor lírico e professor de canto) e a proposição foi, em seguida, aprovada pela diretoria do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, e a primeira audição se deu em março daquele ano. Completa-se, portanto, um quarto de século de um projeto que passou por interrupções – como a causada pela pandemia de Covid –, mas jamais retirado de cartaz. Em 2017, por exemplo, quando do Bicentenário de Alagoas, foi realizada uma das apresentações memoráveis do programa, tendo como intérprete o alagoano Felipe Oliveira cantando obras clássicas (de inspiração popular) do também alagoano Hekel Tavares, sob a coordenação de Selma Britto.

NO DOMINGO PRÓXIMO-PASSADO 
(como era regra jornalística assim escrever), o libreto apresenta o recital “Impressões Sonoras” com o duo formado pelo baixo-barítono Felipe Oliveira – regressando a Alagoas num intervalo de sua exitosa carreira internacional – e o pianista cearense de prestígio mundial Vítor Philomeno (fundador da Opera Atelier), numa pauta variada, dividida em quatro segmentos: Sons de Outros Tempos (Mozart, Handel e Puccini); Sons do Ceará (Alberto Nepomuceno e Francisco Neves, e outros); Canções Nordestinas (Ernani Braga); Canções Beiramar (Marlos Nobre de Almeida, em composições temáticas do Candomblé). Um excepcional espetáculo! Na abertura da manhã musical, Selma Britto inaugurou o novo piano (um Yamaha meia cauda) Zero Km, interpretando, como boa feminista que é, Chiquinha Gonzaga com “Lua Branca”.

PAULO DANTAS,
governador de Alagoas, embora não seja músico, precisa ser citado (e aplaudido) em qualquer comentário sobre esse espetáculo musical do domingo. Pelas mãos mágicas de Selma Britto, e em seguida dedilhado pelo premiado Vítor Philomeno, inaugurou-se o piano citado no parágrafo anterior. Desencaixotado, montado e afinado quatro dias antes do concerto dominical no qual teve seus martelos e cordas aprovados, percutindo numa sonoridade magistral. Como bem citaram na ocasião, aquele instrumento seria o primeiro piano (clássico) a ser doado pelo Estado de Alagoas em, pelo menos 50 anos. Um acontecimento que não deve passar despercebido e que merece ser reconhecido, homenageado e propagado – com a maior estridência possível – como exemplo meritório a ser seguido por demais administradores públicos e mecenas privados. A doação de instrumentos musicais é uma ação estratégica para a formação artística pública, gesto indispensável à cidadania cultural. Governador Paulo Dantas, parabéns!

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