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Avenida da Paz: restauração de uma referência maceioense
COMO SE SABE, desde há 107 anos, a Avenida da Paz é o topônimo que liga Maceió a um futuro desejado por toda humanidade: a Paz. Foi inaugurada em 1919, apenas um ano depois de encerrada a Primeira Grande Guerra Mundial, conflito responsável para morte de aproximadamente 22 milhões de pessoas, além de ferir outros 23 milhões. Em 1927 passou por uma reforma caprichada sob a gestão do prefeito (advogado, escritor, jornalista e poeta) Jaime de Altavila. Uma via que é patrimônio da memória maceioense.
UM TROPEÇO DA MEMÓRIA pessoal, confundido o horário de três compromissos na mesma semana – às 19 horas – me fez agendar para essa hora, dispensando conferência do card, o evento para o qual havia sido convidado a dizer umas palavras sobre a primeira avenida na beira-mar de Maceió. No dia aprazado, adiantando o serviço para estar pressente, sem atraso, às 19, um telefonema, por volta das 14 horas, desabou um balde de água fria no quengo: “Amigo, você ainda vem?”. Olhei o convite com atenção. Lá estava “Pré-lançamento do Horizon Trade Center, 30 de julho, do meio-dia às 15 horas”. Gelei. Senti a pisada na bola: havia confundido os horários. Na hora, perdi a paz comigo mesmo. Tentando recuperá-la, escrevo o que pensava em falar lá. Em primeiro lugar, me desculpando. E agradecendo ao convite de Matheus Vilela, Flívio Mascarenhas, Mariano Teixeira, Tatiane Macedo, Nara Teixeira, Fernanda Benamour e Lua Lamenha.
MATHEUS VILELA, CEO da Markup Incorporações, via a Duck Comunicação Integrada, me mandou informações sobre o empreendimento, cuja proposta pode ser acessada em markupincorporacoes.com.br. É coisa de primeiro mundo, sofisticada edificação para fins comerciais. Uma torre com a ousadia arquitetônica do Mariano (meu professor na UFAL), ambientação da Nara, paisagismo da Tatiane, e construção a cargo do Flívio (Plano A). O local escolhido não poderia ser mais emblemático: abrigou a antiga sede da AABB. Ah, acharam que eu ia escrever “sede da Telasa Celular, depois TIM”? Também foi. Mas o endereço ficou famoso por sediar a Associação Atlética Banco do Brasil, inaugurada em 1969. Era edificação arrojada, referencial por suas linhas seguidoras da Arquitetura Moderna Brasileira, estilo que ganhou o mundo depois da invenção de Brasília. O lugar era vanguarda, volta a ser vanguarda. História que segue.
DURANTE SETE DÉCADAS, entre 1919 e meados dos anos 1980, a Avenida da Paz foi a maior expressão urbanística na beira da praia. Pistas largas, paisagem extraordinária, local escolhido para a construção do primeiro “arranha-céu” residencial na Capital alagoana: o Edifício São Carlos, com imponentes 10 andares de pura Arquitetura Moderna Brasileira, edificado pela Brêda Irmãos, construtora responsável também pela torre comercial do Edifício Brêda, ambos inaugurados em 1968. Mais tarde, a artéria recebeu também o hotel que reaviou o turismo contemporâneo em Alagoas, o Luxor (anos 1970), seguido do Beira-Mar. Esse rumo vanguardista foi interrompido por conta de três interferências nefastas: Construção da fábrica Salgema (hoje Braskem); instalação do Emissário Submarino; e aumento visível da poluição do Riacho Salgadinho. O sentido Centro-Litoral Sul foi substituído pela direção Centro-Litoral Norte no final dos anos 1980.
COM A REDUÇÃO dos impactos locais da Salgema/Braskem (reduziu drasticamente a atividade industrial na fábrica do Pontal da Barra depois do desastre do afundamento das minas), com a normalização do funcionamento do emissário (hoje BRK), e início da despoluição do Salgadinho – o vetor Litoral Sul de Maceió voltou a ter fulgor, ressurgiu das cinzas. E a renovada Avenida da Paz se exibe como a grande artéria que sempre foi. Deixou de ser passado, já é futuro.


