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Anatomia de um genocídio cuja autoria é pública e notória
ANATOMIA DO CAOS é a crônica de um genocídio anunciado. Um documentário simples e duro, descrevendo o processo que matou muito mais do que os 30 mil brasileiros prometidos como cadáveres durante a campanha de Jair Messias, em 2018. O mito entregou mais de 700 mil mortos.
DESSES MAIS DE 700 MIL cadáveres, se o governo Jair Bolsonaro tivesse adotado as medidas adequadas (semelhante às adotadas na maioria dos países) os otimistas avaliam que 400 mil vidas teriam sido salvas, e os muito pessimistas estimam em 100 mil sobreviventes. Independentemente da exatidão dos algarismos, o fato é que milhares de pessoas (brasileiros e brasileiras em todos os estados) morreram porque a decisão do presidente da República foi deixá-las morrer.
ESSE É O RESULTADO do comando de um país estar nas mãos de uma pessoa que sempre se orgulhou de repetir ter sido “treinado para matar”. Simples assim. Trágico assim. Covarde assim. Não há como assistir Anatomia do Caos sem comoção.
NÃO HÁ COMO ESQUECER as gargalhadas do Jair quando se referia aos cuidados com a pandemia, quando imitava pessoas morrendo asfixiadas, quando insultava quem defendia os tratamentos adotados (com sucesso) na maioria do planeta. Inesquecível é sua defesa apaixonada por medicamentos cuja ineficiência contra o Covid-19 já estava amplamente comprovada, como Cloroquina e Hidroxicloroquina (úteis no tratamento da malária), Ivermectina (útil para combater lombrigas).
ESSAS INUTILIDADES para o enfrentamento do Coronavírus eram a base do pacote “Kit Covid”, a materialização da tese “Tratamento Precoce”. Impacta ouvir novamente a defesa dessas teses por luminares da medicina bolsonarista como o Dr. Anthony Wong (apostando no que recomendava, entupiu-se do Kit Covid, e morreu em janeiro de 2021 – de Covid). Choca reassistir o patético depoimento da bolsonarista Dra. Nise Yamaguchi, incapaz de responder corretamente a uma única pergunta sequer na CPI do Covid, inclusive sem saber se o vetor da doença seria vírus ou protozoário.
GENOCÍDIO É O NOME do crime cometido por Bolsonaro como presidente da República. Genocida não por inação, mas por ação. Genocida por, pelo menos, três orientações governamentais, impondo políticas de massa como: 1) a “imunização de rebanho”; 2) uso prioritário de medicamentos comprovadamente ineficientes; 3) recusa de métodos eficientes (como máscaras) para evitar a propagação de vírus. Isso sem citar à resistência exacerbada da do “PR” Jair contra as vacinas. E não é detalhe: Como se sabe, a imunização de rebanho é um processo seletivo no qual parte dos indivíduos de um grupo, exposto a um patógeno, é abandonado à própria sorte para morrer, buscando intencionalmente que os “mais fortes” sobrevivam – isso, em termos humanos, é genocídio. Remédio ineficiente aplicado em massa durante uma pandemia é genocídio. A cena do Jair (hoje presidiário) retirando a máscara de uma criança presa em seus braços, é um escárnio, um ato exemplar da canalhice de um bandido, tragicamente eleito para a presidência de um país.
DANDARA FERREIRA é o nome da diretora do documentário, filme que tem a participação do premiado cineasta alagoano Élcio Verçosa Filho como um dos roteiristas. Nos nomes de Dandara e Élcio, os parabéns para toda equipe! Vocês produziram um documento histórico de gigantesco valor para a cidadania, para a Democracia. Vocês preservaram momentos relevantes na memória sobre a primeira pandemia do século XXI. Não se trata de um retrato apenas de uma tragédia nacional, mas de um crime de repercussão internacional cometido com crueldade única em todo aquele cenário mundial pandêmico. O filme, em Maceió, segue em exibição no Cine Arte Pajuçara. Vale a pena ver. E ver de novo. Não esquecer é uma vacina de largo poder defensivo. Vacine-se.


