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Jovelino, imensa referência da música popular alagoana
MAESTRO JOVELINO completa 90 anos, e em plena atividade. Nove décadas de vida, trabalho e muita música – e em ritmo de frevo, inclusive. Tem, devidamente anotados, pelo menos dez (10) discos gravados no formato LP. Como se sabe, no passado recente, antes do surgimento dos suportes digitais (bem anterior aos “streamingues”), gravar um LP (Long Play, ou "longa duração") era uma tarefa hercúlea.
APOIS O ARAPIRAQUENSE Jovelino Lima desempenhou o papel de Hércules por uma dezena de vezes. É um gigante. Uma única vez acompanhei, e de longe, a feitura de um LP profissional – um vinil com as 12 composições finalistas do Festival Universitário de Música realizado em 1981, sob os auspícios do DCE da UFAL, então presidido por Edberto Ticianeli. A posterior gravação, na Rozenblit de Recife, foi uma epopeia coordenada pelo intrépido Paulo Poeta. Trabalho de endoidar qualquer pessoa naqueles tempos idos. Imagine multiplicar por dez aquela trabalheira.
“CARNAVAL TEMPERATURA” é a marca registrada dos discos de Jovelino, título replicado, sempre com uma dúzia de novas composições a cada edição, entre 1976 e 1985, nos volumes 1 a 8, bravamente. Me lembro perfeitamente, ainda hoje, do frevo “Tchau, Meu Bem”, composição de Jovelino lançada no primeiro LP da série citada. A música foi tocada com feliz insistência, anos a fio, nos tempos em que as músicas alagoanas tinham espaço nas rádios de Maceió. Além dos oito discos carnavalescos, Maestro Jovelino gravou dois LPs forrozeiros, intitulados “Boca de Forno – volumes 1 e 2”, produções onde se reuniram nomes credenciados como Eliezer Setton, Zé do Rojão e Cícero Paulo, dentre outros astros do arrasta-pé.
“BOCA DE FORNO” teve seu volume 1 reforçado com o subtítulo “Pra Lá e Pra Cá”, gravado e lançado em 1979 pela gravadora Rozenblit através do selo Dó-Ré-Mi. O volume 2 é do ano seguinte, 1980, também chancelado pela Dó-Ré-Mi e contando com a prestigiosa presença do intérprete pernambucano Claudionor Germano (ícone dos frevos que se dispôs a forrozar regido pelo maestro arapiraquense). Dois forrós: “Pra Lá e Pra Cá” e “Nosso Guerreiro” são destacados pela crítica dentre as composições de autoria de Jovelino.
INFORMA O SITE ARAPIRACALEGAL que as primeiras composições de Jovelino “foram ‘Prece a São João’ e ‘Nordeste Diferente’, ambas gravadas por Zé do Rojão. Depois a convite do presidente do ASA (Agremiação Sportiva Arapiraquense), musicou uma letra do professor Pedro de França Reys, com arranjo de Lourival Oliveira. Esta música tornou-se o Hino do ASA. Este hino foi gravado pelo cantor pernambucano de frevo, Claudionor Germano”. Por sua vez, o importante programa contemporâneo “Raízes de Arapiraca” (criação e direção do deputado estadual Ricardo Nezinho) disponibiliza excelente vídeo sobre Jovelino através do endereço https://raizesdearapiraca.com.br/jovelino-jose-de-lima/
DOMINGO, 26 DE JULHO, Jovelino Lima completa 90 voltas acompanhado o girar da terra em torno do sol. E segue adiante, sem sair do tom. Além da vasta produção musical, o mastro compôs, com Dona Margarida de Lima Silva, sua esposa, sete crias: José Honorato Neto (in memoriam), Maria Betânia, Monica Maria, Maria Cleônia, Márcia Maria, Jair Rogério e José Geraldo.
ARAPIRACA E ALAGOAS estão de parabéns por ter entre seus filhos gente da imensa qualidade como o Maestro Jovelino.


