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O Mapa da Fome da ONU e o Brasil novamente fora dele

Por Enio Lins 24/07/2026

UMA NOTÍCIA MUITO IMPORTANTE ficou semioculta na mídia nos últimos dias. Divulgada gigantesca discrição, há sete dias, escondida entre matérias menores nos maiores veículos nacionais, sussurra-se que “o Brasil continua fora do Mapa da Fome”.

PARECE COISA BANAL O BRASIL 
seguir fora da lista de países com maior ocorrência da subnutrição. Afinal, afastar da fome um número expressivo dos brasileiros em situação de miséria, é tido como obrigação básica, elementar, do governo federal. E é. Mas não pode ser esquecido que, por muitos e muitos anos, o Brasil teve lugar cativo entre os países onde a falta de comida comprometia a saúde de parcela significativa de sua população.

RECAPITULANDO: A ONU,
via a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), publica o Mapa da Fome no mundo desde 1999. “O relatório é divulgado anualmente no documento O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo (SOFI), que inclui países, ou territórios, no mapeamento da fome mundial quando a proporção de sua população sem acesso à quantidade mínima de calorias fica acima de 2,5% em condição de subalimentação crônica. Abaixo desse percentual, considera-se que o problema foi superado”, conforme as enciclopédias virtuais informam.

ANTES DA ONU CRIAR O MAPA DA FOME,
a questão subalimentar brasileira foi explicitada e definida como um gravíssimo problema social e político pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. Exilado desde 1971, foi citado como “o irmão do Henfil” pelos compositores João Bosco e Aldir Blanc na canção “O Bêbado e a Equilibrista”, sucesso gravado em 1979 por Elis Regina: “Meu Brasil / que sonha com a volta do irmão do Henfil / com tanta gente que partiu…”. A música virou o hino pela Anistia em favor das pessoas perseguidas pela ditadura militar implantada em 1964. Betinho, anistiado, voltou ao Brasil no mesmo ano de 1979. Transformado em celebridade (seus longos anos de militância política na esquerda foram discretos e distantes do noticiário), dedicou-se à militância social e passou a focar no combate à fome.

BETINHO, O IRMÃO DE HENFIL,
em 1981, fundou o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Em 1993, com base nos estudos realizados pelo IPEA, criou a ONG “Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida”, e lançou a campanha “Brasil Sem Fome”, alertando para a realidade de que 32 milhões de pessoas que viviam abaixo da linha da pobreza. Ainda em 1993, Maceió – por inciativa do então prefeito Ronaldo Lessa – foi uma das primeiras cidades brasileiras a estabelecer contato com Betinho para incluir a capital alagoana no esforço de combate à fome.

QUANDO, EM 1999, A ONU 
lançou o Mapa da Fome, e incluindo nele o Brasil, confirmado os estudos do IPEA, Betinho já havia morrido (em 1977). E, apenas em 2003, a questão da subnutrição foi encarada como política do governo federal, através do Programa Fome Zero, lançado oficialmente em 3 de fevereiro daquele ano, durante o primeiro mandato de Lula como presidente da República. O lançamento do projeto-piloto ocorreu no município de Guaribas, no estado do Piauí, uma das cidades mais pobres do país na época.

EM 2014, OS PRIMEIROS 
resultados do esforço federal, ao longo de mais de 10 anos, finalmente afloraram, e o Brasil conquistou a meta de ficar de fora do Mapa da Fome. Era o governo Dilma Roussef. Em 2021, a vergonha: o Brasil voltou a ser incluído no Mapa da Fome, registrando 3,4% da população em insegurança alimentar grave – resultado do desgoverno do Jair, atual presidiário. Finalmente, no período 2025/2026, foi reconquistada a exclusão brasileira do famigerado Mapa da Fome, e consolidando o menor índice de insegurança alimentar severa da série histórica. Uma tremenda vitória do terceiro mandato Lula da Silva e que precisa ser tirada do Mapa do Silêncio.

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