Posts

Como dito em antigas peças publicitárias, viva o Paraíso das Águas!

Por Enio Lins 18/07/2026

NOS PRIMÓRDIOS, escrevia-se alagoa para identificar corpos de água menores que um lago, independentemente de terem, ou não, esses pequenos lagos ligação direta com o mar. Como se diz em italiano, “uma laguna è un piccolo lago”, e em espanhol, “una laguna es un lago pequeño”. Academicamente, a questão do contato com o mar acentuou, depois de quase cinco séculos de uso poético do nome, que dever-se-ia dizer “laguna” e não “lagoa”. Já era. Neste texto, usar-se-á “alagoa” num tributo às raízes.

DESDE O COMEÇO
da colonização, notou-se que a faixa de terra litorânea entre o Rio São Francisco e o Rio Persinunga era excepcionalmente cravejada por alagoas, e os lusitanos recém-desembarcados e ávidos no apossamento do território e na definição de sua toponímia, cravaram “terra das alagoas”. Simples assim, sem nem prestarem atenção aos limites oficiais, linhas divisórias, entre as capitanias hereditárias estabelecidas desde Lisboa. O topônimo “Terra das Alagoas” foi usado largamente até meados do século XX, por mais de 400 anos, servindo inclusive como título do mais fantástico almanaque jamais imitado por essas bandas, editado por Adalberto Marroquim nos anos 20, impresso luxuosamente em Roma, visando marcar o 70º aniversário da libertação alagoana. Por falar nisso, essa obra fantástica pode ser consultada no site da Assembleia Legislativa de Alagoas, no formato PDF, clicando aqui.

CONFESSO QUE,
nas proximidades do cometimento dos 70 anos de andanças pelas terras alagoanas, eu só conhecia mesmo as três alagoas da região metropolitana de Maceió: Manguaba, Mundaú e Anta. Andei pela alagoa do Roteiro, mas não considero como um mínimo de intimidade capaz de dizer “conheço mais ou menos”. Conheci de verdade o Rio Niquim, especialmente no remanso do quintal da casa de Dona Terezinha e Seu Júlio, onde farras dignas de nota consumiam sacos de ostras esquentadas em fogareiros montados sobre mesas de pés afundados na areia fina do rio, um tributário da alagoa do Roteiro. A IA Gemini informa aos navegantes que “o estado de Alagoas conta com 17 [a]lagoas catalogadas em sua região costeira e estuarina, além de dezenas de outros corpos d'água temporários e menores no interior”.

FINALMENTE, DEPOIS
 de 69 anos, seis meses e alguns dias de vida alagoana, reduzi minha ignorância em relação às alagoas do estado: apresentei-me à alagoa do Jequiá. Maravilhosa. Natureza quase intocada, numa “extensão hídrica de cerca de 18 a 20 km de comprimento, sendo a terceira maior [a]lagoa do estado de Alagoas, atrás apenas das [a]lagoas Manguaba e Mundaú”, conforme diz a já citada Gemini, de onde meu jereré digital trouxe também que “em relação às áreas de abrangência no entorno se destaca a Reserva Extrativista Marinha (Resex) da Alagoa do Jequiá. Essa unidade de conservação federal, gerenciada pelo ICMBio, envolve o corpo da alagoa, seus ecossistemas estuarinos e extensos manguezais ao redor, abrange uma área total de 10.203,79 hectares, aproximadamente aproximadamente102 quilômetros quadrados” (os “a” na frente dos “l” lagunares são por minha conta).

NIDE LINS, PAULO POETA E THOMAZ BELTRÃO
sempre destacaram as maravilhas do lugar e a necessidade imperiosa de conhecer a alagoa de Jequiá. E eu nada de ir lá. Enfim, fui, e já quero voltar, tal como Jararaca cantou em relação ao Pilar: “inda ontem vim de lá do Pilá/ inda ontem vim de lá do Pilá/ Já tô com vontade de ir por aí”. Repasso a indicação da Nide: melhor ir com guia profissional nativo. Procure os serviços microempresa familiar do clã de Seu Manoel Cardoso, pescador nativo com mais de 60 anos de pesca artesanal e conservação naquele ambiente, através do número (82)99661-6411.

Charges