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Ainda sobre crime organizado, milícias, e o famigerado mito
CAUSOU FUROR a divulgação de uma fotografia de Zero-Um, o filhinho de papai miliciano, na maior intimidade, com o finado Sicário. O impacto da imagem de dois caras afetuosamente reunidos se explica pelo fato de que o seminu na foto jurou jamais ter visto o outro bandido. Antes, havia jurado, com semelhante desfaçatez, não saber nada do financiamento milionário de Daniel Vorcaro para o pastelão Dark Crazy Horse.
“LUIZ PHILLIPI Machado de Moraes Mourão, conhecido como ‘Sicário’, foi apontado pela Polícia Federal como coordenador do grupo ‘A Turma’, que atuava como milícia privada de Daniel Vorcaro. Ele foi preso em março de 2026 durante a 3ª Operação Compliance Zero”, conforme resumo do g1, explicando que “segundo os investigadores, ‘Sicário’ desempenhava papel central na organização criminosa, atuando no monitoramento de alvos, na obtenção ilegal de dados e em ações de intimidação. Também acumulava antecedentes por crimes como estelionato, receptação, uso de documento falso e ameaça”. Como se sabe, Luiz Phillipi/Sicário teria sido suicidado nas dependências da Polícia Federal em Belo Horizonte, no mesmo dia em que foi preso, 4 de março de 2026, e resistiu numa UTI por mais dois dias antes de morrer.
ZERO-UM, O FLAVITO filho do Jair, sempre exibiu – e orgulhosamente – suas ligações com o crime organizado. Então deputado estadual carioca Flávio Bolsonaro homenageou, por duas vezes, o notório criminoso Adriano Nóbrega: em 2003, com uma moção de honra, e em 2005, condecorando-o com a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Nóbrega, ex-capitão da PM carioca, era célebre como assassino a serviço do crime organizado. Zero-Um fez questão de entregar pessoalmente a Medalha Tiradentes a seu homenageado, na época preso no Batalhão Especial Prisional, sob acusação de mais um homicídio. No mesmo período, Flávio Bolsonaro homenageou outro criminoso contumaz, o major PM Ronald Paulo Alves Pereira.
ADRIANO E RONALD FORAM, anos depois de homenageados pelo parceiro Flávio Bolsonaro, identificados como dois dos executores do motorista Anderson Gomes e da vereadora Marielle Franco (combativa parlamentar cujo principal desafeto o vereador Carlucho Bolsonaro). No dia 9 de fevereiro de 2020, Adriano, em fuga, teria reagido à voz de prisão: teve seu CPF cancelado num alegado confronto com a Polícia Militar da Bahia. Ah, sim: Quando a vereadora e o motorista foram assassinados, em 14 de março de 2018, a segurança pública do Rio de Janeiro estava sob o comando do General Braga Netto, que viria a ser um dos homens fortes do desgoverno Bolsonaro e, em 2022, foi candidato a vice-presidente do mito na frustrada reeleição. Coincidência danada!
COINCIDÊNCIAS DANADAS são comuns à família Bolsonaro. Então deputado federal, Jair foi assaltado no dia 4 de julho de 1995, em Vila Isabel, zona norte do Rio. Na ocasião o ex-capitão esqueceu-se de ter sido “treinado para matar”, como sempre se jactou. Aos prantos, entregou a moto Honda XLX 350 e a pistola Glock 380. Dentre as várias versões para a ocorrência, o fato é que a pistola e a moto foram devolvidas a Jair – pelo cabo PM Ronnie Lessa. Anos mais tarde, expulso da corporação por vários crimes cometidos, Ronnie tornou-se vizinho de Jair no luxuoso Condomínio Vivendas da Barra. Lessa hoje cumpre pena – condenado como assassino confesso da vereadora Marielle e do motorista Anderson – na Penitenciária IV do Distrito Federal, em Brasília, cidade na qual também cumpre pena, em prisão domiciliar, seu velho amigão Jair, o Zero-Zero.
COMO SE VÊ, FLAVITO se deixou fotografar, com um sorriso orelha a orelha, abraçado a um desconhecido fã que passava, por acaso, num local qualquer onde ele usufruía sua seminudez. Como cantou o É o Tchan: Sabe de nada, inocente.

