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Nenhuma chance (ainda) para a Paz no Oriente Médio

Por Enio Lins 14/07/2026

RECOMEÇOU A GUERRA que nunca foi interrompida entre EUA/Israel e Irã. A suposta trégua, assinada pomposamente no Palácio de Versalhes, em Paris, no dia 17 de junho, nunca passou de um ato circense. Desde que foi anunciada, só serviu para comparações, mais das vezes sarcásticas, entre o acordo fajuto rubricado por Trump em 2026, e o tratado histórico que encerrou a I Grande Guerra Mundial em 1919, assinada no mesmo cenário que representa o que foi a pompa majestática, absolutista, de Luís XIV de França.

NÃO DUROU UM MÊS
a pantomima. Sempre foi uma farsa estadunidense, e o Irã assinou porque lhe foi útil o embuste, seja porque aliviou, por um lapso de tempo, a pressão militar direta ianque (de poder de fogo imensamente maior), seja porque isso lhe rendeu pontos ao apresentar ao mundo sua disposição em firmar compromisso de paz com inimigos figadais. Afinal, quem se arrisca a se opor aos interesses israelenses e americanos, inapelavelmente recebe os carimbos de “radical” e “terrorista”. Mas Israel, a parte mais belicosa das forças em conflito, como sempre, abjurou qualquer oportunidade de interromper a guerra infinda que move contra as populações nativas de todo Oriente Médio.

TRUMP DEU UM PASSO
pra dentro do “tratado de paz” como coreografia de ampliação de espaços na mídia e como ação destinada a reduzir as pressões internas nas proximidades das eleições de meio-mandato, em 3 de novembro. Washington não fez um “pas de deux” com Telavive, o que poderia ter dado, de fato, alguma chance à paz, ou pequena trégua real. Mas, apenas 20 dias depois de assinar pomposamente o cenográfico “Memorando de Islamabad” em Versalhes, deu um passo pra fora, anunciando dramaticamente que “a trégua acabou!” e, como sempre, ameaçando acabar com o país persa rapidamente, pois “mil mísseis estão prontos” para serem lançados em um ataque em larga escala contra alvos estratégicos e de infraestrutura iraniana. E, ao denunciar o Irã como responsável por prejudicar a economia mundial ao fechar o Estreito de Ormuz, Trump anuncia que “tomará conta do Estreito de Ormuz” e que passará a cobrar taxas pelo tráfego naquela área (prejudicando a economia mundial).

ISRAEL, PRINCIPAL PROVOCADOR 
e mantenedor da guerra no Oriente Médio, não foi signatário do tal “Memorando de Islamabad” e nem participou das negociações articuladas pelo Paquistão. O Estado israelense, cujo governo segue nas mãos de Bibi Netanyahu e seus terroristas, jamais interrompeu as ações de agressão contra as populações originárias da Palestina e vizinhanças. Manteve sua ofensiva militar no Sul do Líbano, assim como avançou na ocupação crescente e ilegal das terras da Cisjordânia, assim como seguiu exterminando a população do Gueto de Gaza. Em verdade, repito: nunca houve trégua, apenas uma tentativa de Donald Trump em respirar um pouco em meio aos insucessos de seu segundo mandato, num movimento que interessou a Teerã, pois possibilitou aos iranianos uma pequena folga junto aos Estados Unidos. Entretanto, os israelenses nunca fizeram intervalo na matança.

JAMAIS HAVERÁ PAZ
no Oriente Médio enquanto Israel mantiver sua velhíssima política de terror e ocupação ilegal dos territórios que jura ter recebido como presente de seu deus nacional – divindade que segue autorizando o holocausto das populações nativas tal como teria sido executado na mítica passagem da derrubada das muralhas de Jericó, num massacre “abençoado”, tal qual expressado no Livro de Josué. Evidentemente que o poder israelense só existe pela cumplicidade de potências como os Estados Unidos (e, no passado recente, a União Soviética foi fundamental no processo de criação e armamento do Estado de Israel). Nessa intrincada teia de violências e morte, a Paz (com maiúscula) não tem – ainda – a menor chance.

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