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Escândalo Master, apuração e diversionismo – capítulo 2

Por Enio Lins 24/06/2026

DEFENDER QUE TODOS sejam exemplarmente punidos, caso provada vinculação em casos como o do Banco Master, mesmo gente de grande valor, é um gesto ético básico. Imparcialidade à toda prova: Errou, pagou. Entretanto, é-se indispensável não perder o foco do conjunto de fatores envolvidos para não se tornar massa de manobra.

ANTES DE BATER O MARTELO,
preste muita atenção em torno do acontecido, e pergunte-se quem ganha com um veredicto antecipado pelo zum-zum-zum. Capoeira mata um, diz a canção. Mas quem morrerá pelo rabo de arraia? É ingenuidade crer que a defesa radical da punição para todos garante que assim seja. Ser duro não é ser otário. “Hay que endurecerse, pero sin entregar la rapadura jamás!” poderia ter dito Che Guevara. No caso da apuração da suposta participação de Jacques Wagner em algum esquema Master, os procedimentos devem ter passos semelhantes e proporcionais aos principais e notórios envolvidos, como os Bolsonaros, Campos Neto e outros Master-chefes.

SUSPEITO DO RECEBIMENTO
de algo como R$ 3,5 milhões, Jacques Wagner teve a PF procedendo busca e apreensão em seu domicílio. Wagner foi elevado pela chamada “grande mídia” a uma posição de visibilidade semelhante ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que está sob suspeita de ter abocanhado cerca de R$ 155 milhões (US$ 30 milhões). E Wagner está sendo injustamente comparado a Bolsonaro Júnior 01, que – confessadamente – mordeu R$ 61 milhões (US$ 10.6 milhões) como primeira parcela do valor de R$ 134 milhões (US$ 24 milhões) apalavrado – e gravado – com Vorcaro. E o mais grave: Alcolumbre e Flavito seguem, até o fechamento dessa coluna, invisíveis para o ministro André Mendonça, responsável no STF por destrinchar o Master.

E NÃO É QUE ESQUECERAM
do Roberto Campos Neto? The Bob Fields' Grandson presidiu o Banco Central de 28 de fevereiro de 2019 até 1.º de janeiro de 2025, seis anos que correspondem exatamente aos seis anos do avassalador e criminoso sucesso do Banco Master. Como divulgado pela mídia, o Master (chamado Máxima até 2021), sob o comando de Daniel Vorcaro, saltou inexplicavelmente “da 91ª colocação no ranking de tamanho dos bancos brasileiros, com apenas R$ 3,47 bilhões de passivos (recursos captados) em 2019, para a 20ª posição, com R$ 83,18 bilhões, em março de 2025 - o último dado disponível, a poucos meses antes de quebrar” conforme artigo de Alvaro Gribel publicado o Estadão, em 8/3/2026. Esses seis longos anos de fraudes escandalosas passaram invisíveis e inaudíveis aos olhos fechados e ouvidos moucos de Campos Neto, providencialmente mudo – até hoje – sobre esse tema. E quede a PF pisando na soleira da porta dele?

GRAÇAS AO INTERCEPT BRASIL 
veio à público a negociata entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, um mimo na ordem de R$ 134 milhões, dos quais R$ 61 milhões repassados comprovadamente. Se não fosse essa reportagem sobre a mutreta Master/Dark Horse, publicada antes da ação sobre o petista senador da Bahia, o judeu Jacques Wagner estaria hoje crucificado, sozinho, num auto-de-fé autorizado pelo ministro André Mendonça. E destaque-se que o caso Wagner trata de uma suspeita, não comprovada, dele ter ganhado um apartamento de um empresário que seria sócio de Vorcaro. Pela suposição de ter recebido 1,9% do valor negociado por Vorcaro com Flávio Bolsonaro, Jacques Wagner não pode ser absolvido por antecipação, isto é certo. Mas, muito menos, pode ser usado como bode expiatório para anistiar os responsáveis pela roubalheira do Master.

QUE A INVESTIGAÇÃO
se estenda até os principais suspeitos – família Bolsonaro, Partido Liberal, Ibaneis Rocha, Cláudio Castro... e, principalmente, Roberto Campos Neto – com a mesma rigorosidade que brindou o senador Wagner. Nem mais, nem menos. E que a Justiça seja feita.

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