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Há 501 anos, um casamento sacramenta uma ruptura religiosa

Por Enio Lins 13/06/2026

NO DIA 13 DE JUNHO DE 1525, Martinho Lutero e Catarina von Bora se casam. Até quatro anos antes ele era um proeminente padre e ela uma freira reclusa. Ambos, mesmo excluídos de suas ordens religiosas originais desde 1521, afrontavam à regra geral do celibato para padres e freiras ordenados pela Igreja Católica Apostólica Romana. O enlace se dá no dia de Santo Antônio, padroeiro dos casamentos.

LUTERO, ENQUANTO PADRE 
e teólogo católico alemão, progressivamente passou a discordar de práticas da Igreja, como a venda das indulgências, além de denunciar a tolerância da alta hierarquia para com os casos de corrução dentro das igrejas, contestava também a autoridade absoluta papal. Em 1517 divulgou suas “95 Teses”, inicialmente como contribuição acadêmica como professor de Teologia Moral na Universidade de Vinterberg. Esse material impactante foi rapidamente traduzido para vários idiomas, reimpresso e espalhado pela Europa. Era o início da chamada Reforma Protestante.

PUNIDO COM 
a excomunhão por recusar a retratação exigida pela Santa Sé, Lutero passou a ser perseguido pela nobreza germânica ligada à Roma, mas simultaneamente, a adesão às suas teses cresceu em ritmo impressionante, entre a população comum e em segmentos da própria igreja católica. 

CATARINA VON BORA 
era uma freira de origem humilde, que vivera praticamente toda sua vida em conventos. Culta e fluente em línguas, leu e se impressionou com as teses de Lutero. Aos 24 anos de idade, na véspera da Páscoa de 1523, aderiu ao movimento reformista e fugiu – juntamente com outras 11 freiras – do Mosteiro Marienthron, situado na cidade de Nimbschen. Dois anos depois, ousou “pedir em casamento” o líder maior dos protestantes. Tiveram seis filhos: Johannes, Elisabeth, Magdalena, Martin, Paul e Margaretha. Um descendente direto de Lutero e Catarina foi o notável Paul von Hindenburg (1847/1934), marechal e presidente da República, um dos maiores líderes políticos da Alemanha.

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