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O jogador solitário na política e a sina do revés

Por Enio Lins 12/06/2026

POLÍTICA É JOGO QUE não se joga só, obviamente. Mas, como em todo jogo, existem craques que se consideram capazes da proeza de fazer os times (o seu e o adversário) girarem em torno de si. Esse é um erro de autoavaliação que tem levado muitas celebridades a encerrarem prematuramente suas carreiras, apesar do grande sucesso inicial. Jânio Quadros e Fernando Collor, são exemplos de autoisolamento: alcançaram a presidência da República com altos índices de votação e de esperança popular, e deixaram a grande oportunidade escorrer entre os dedos de forma abrupta e inapelável. Outros solitários, como o brigadeiro Eduardo Gomes, que inspirou até nome de doce, e o empresário Antônio Ermírio de Moraes não passaram da primeira candidatura tida como vitoriosa antes da hora.

SABER FAZER ALIANÇAS,
especialmente as improváveis, é receita tão difícil quanto infalível. Getúlio, FHC e Lula são três exemplos de sucessos políticos e eleitorais em composições, como diria o saudoso Djalma Falcão, que foram verdadeiros casamentos de jacaré com cobra-d’água. Tancredo Neves é outra prova de competência em alianças capazes de vencer até a Lei da Gravidade, mas o mineiro, símbolo do político esperto, sempre advertia (repetindo aqui a máxima publicada dias atrás, em relação a JHC): “A esperteza, quando é muita, fica grande e come o dono”.

APARENTEMENTE O EX-PREFEITO 
de Maceió está sendo mordido pela própria esperteza. Pode não ser engolido, ao fim e ao cabo, mas tem levado dentadas à esquerda, à direita e ao centro. Como estamos em tempo de copa do mundo, pode-se ser usada mais da filosofia de futebol, como uma frase de Freitas Solich (jogador e treinador vivente entre 1900 e 1984): “Dentro da área o drible é uma temeridade. No meio de campo é perda de tempo. Na área adversária, é meio-gol”. JHC não está driblando na área adversária, até porque não disse ainda qual a área dele, e parece estar a cometer um meio-gol-contra.

OBVIO QUE O EX-PREFEITO
segue sendo um candidato com viabilidade eleitoral para qualquer posto que venha a disputar, mas é ilusão considerá-lo imbatível, inexorabilidade eleitoral que o próprio parece acreditar. Mas seus dribles o estão distanciando de um padrão de confiabilidade que toda liderança política precisa ter como engenharia básica para a construção de alianças. A cada lance, o (atual) camisa 45 dribla, ou tenta driblar, ou acerta uma canelada em alguém que poderia ser uma aliança poderosa – e vai afastando, inviabilizando, parcerias.

LEVOU SUA PELOTA
até o PL, lá ficou um tempo, ganhou fácil a reeleição para a prefeitura de Maceió driblando bonito todas as expectativas do bolsonarismo que inda hoje espera um alô dele para o presidiário Jair. E quando o time do Valdemar Costa Neto se animou com a possibilidade de ter um candidato (com voto) para chamar de seu ao governo alagoano, JHC deu-lhe um banho de cuia (ou “chapéu”) e deixou os bolsonaristas-raiz chupando dedo. Antes disso, havia tocado a bola em direção à faixa da centro-esquerda, comemorou a nomeação da tia Marluce para o STJ... e deu novo drible.

NO ATUAL ESTÁGIO
do campeonato, JHC acumula inimizades e desconfianças fortes em todo espectro das principais lideranças alagoanas que vão às urnas neste ano: Renan Calheiros e Renan Filho, Paulo Dantas e Marcelo Victor, Arthur Lira e Alfredo Gaspar estão ressabiados pelos dribles e chutes na canela desferidos pelo ex-prefeito de Maceió. E JHC precisa atentar para suas próprias fragilidades, como – só para citar um exemplo – o escândalo Banco Master, ato que ele não vai conseguir driblar nem chutar a canela. Isso é um cipó de aroeira que vai desabar pesado sobre seu lombo sem que ninguém, a não ser sua família, se disponha a trazer uma gota de mertiolate para ajudar a sarar as lapadas.

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