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Sob pressão trumpista, a bola começa a rolar na Copa 2026
COMEÇA HOJE A COPA do Mundo, abrigada no Canadá, México e Estados Unidos. Diz-nos o site da FIFA: “O Estádio Azteca, na Cidade do México, vai sediar o jogo de abertura na quinta-feira, 11 de junho de 2026, com o México entrando em campo [contra a África do Sul, às 16 horas, horário de Brasília]. Já região de Nova York e Nova Jersey terão a honra de receber a final da Copa do Mundo no domingo, 19 de julho”. Completa a forbes.com.br: “Pela primeira vez, o Mundial terá três cerimônias oficiais, uma em cada país-sede: México, Canadá e Estados Unidos. A proposta acompanha o novo desenho da competição, que também estreia um formato ampliado, com 48 seleções, 12 grupos, 104 jogos e sedes espalhadas pelos três países organizadores”.
MÉXICO, CANADÁ, EUA: uma copa, três países-sedes – duas democracias (México e Canadá) e uma autocracia (Estados Unidos). 2x1 para a Democracia. Mas antes da bola correr nos gramados, o governo autocrático de Trump começou a cometer faltas, sempre pela lateral direita. Proibir os jogadores do Irã de pernoitar em território norte-americano foi um gesto mesquinho, assim como cancelar ingressos comprados por torcedores iranianos (medidas autoritárias cometidas durante a “trégua” entre Washington e Teerã). Outra covardia trumpista foi impedir que o árbitro somali Omar Artan desembarcasse nos Estados Unidos. “O árbitro foi recusado pelas autoridades de imigração no Aeroporto Internacional de Miami, o que arruinou completamente sua oportunidade histórica de se tornar o primeiro representante de seu país a arbitrar o principal torneio mundial” comenta o site goal.com.br. Nesse quesito, a tibieza da FIFA foi chocante, pois a entidade poderia ter relocado o árbitro para apitar jogos no Canadá e/ou no México, dois países-sedes com regimes democráticos, mas pôs o rabo entre as pernas e desconvocou o juiz.
DONALD TRUMP, entretanto, não foi quem inventou a ideologização ianque na imigração. Em setembro de 1957 foram inaugurados os painéis “Guerra e Paz” na sede da ONU, em Nova York, pintados – no Brasil – por Cândido Portinari. O autor, convidado pela Organização das Nações Unidas, foi impedido de comparecer à solenidade porque a Casa Branca (ocupada pelo general Dwight Eisenhower) proibiu sua entrada nos Estados Unidos, pois Portinari era comunista. Antes, em 1952, Chaplin, britânico que era o maior símbolo do cinema americano, rendendo fortunas para Hollywood, viajou à Europa, onde promoveria seu filme “Luzes da Ribalta”, e, mal pisou em Londres, o FBI determinou a revogação de seu visto, impedindo-o de retornar aos Estados Unidos, exilando-o do país que lhe devia impagável conta cultural. Charlie Chaplin tinha a fama de ser socialista.
NESTA COPA, a tensão no perímetro autocrata de Trump piora, pelo reacendimento dos combates entre EUA e Irã, provocando alta nos temores de atos terroristas, mais das vezes forjados pelos serviços secretos estadunidenses. Antecedentes existem: Em 1962, o então presidente John Kennedy desautorizou um plano do Departamento de Defesa que previa a realização de atentados pelos serviços secretos americanos contra alvos civis americanos, jogando a culpa em Cuba, para estimular a opinião pública a apoiar a invasão à ilha rebelde. O plano chamava-se Northwoods, e pode ser consultado na Wikipédia, ou no endereço nsarchive.gwu.edu. No ano seguinte, 1963, Kennedy foi assassinado. Será que algum atentado, que possa ser colocado na conta dos iranianos e/ou de “terroristas islâmicos”, interessaria ou não ao desgoverno do Donald? Todo alerta sobre esse risco é uma atitude de defesa de vidas inocentes de americanos e turistas mobilizados pela Copa. A partir de hoje, é atenção estrábica: um olho na bola e um olho no Trump.
QUE A COPA DO MUNDO 2026 transcorra em paz, que vença a melhor seleção, e que seja o Brasil!


