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Quando a censura aponta para um perigo ainda maior

Por Enio Lins 10/06/2026

MAS NÃO É QUE um ministro (Nunes, nomeado por Jair), atualmente na presidência do Tribunal Superior Eleitoral, suspendeu a divulgação dos resultados de uma pesquisa AtlasIntel que apontou o desabamento das intenções de voto para o filho do Jair? Os dados da pesquisa são sobejamente conhecidos desde 19 de maio. Devidamente registrada, a enquete ouviu 5.032 eleitores e eleitoras entre 13 e 18 de maio, com o fito anunciado – óbvio – de aferir o impacto da negociata gravada entre o banqueiro-presidiário Vorcaro e Flavito, o candidato-filho do presidiário Jair. Nada mais acertado que proceder a medição dos efeitos daquele torpedo no sentimento do eleitorado.

DURANTE 21 DIAS,
os resultados dessa pesquisa – legal e legítima – foram divulgados, pois existia permissão judicial para isso, posto todos os ritos exigidos pela lei terem sido cumpridos. Os questionários comprovaram o previsto pelo bom senso: um baque da peste na candidatura de Flávio B. Apontaram também para um provável melhor desempenho no segundo turno de qualquer outro nome, dentre as inexpressividades bolsonaristas, do que o filhinho de papai presidiário. Como toda pesquisa, descortina apenas o momento no qual foi aplicada, e a queda de Flavito pode ter sido eventual, e a comparação com as futuras enquetes identificará se a rejeição à corrupção bolsonarista-Master foi efêmera. Uma sondagem natural e lídima.

FOI UM TIRO NO PRÓPRIO PÉ 
disparado pelo ministro nomeado por Bolsonaro. Tiro duplo. Autotiro 1: A decisão do ministro nomeado por Bolsonaro em censurar a quase-velha pesquisa chamou mais atenção sobre os resultados e sobre quanto incomodaram ao bolsonarismo, provocando uma enxurrada de replicações dos dados cuja divulgação esmaecia depois de 21 dias de abordagens. Autotiro 2: a decisão do ministro nomeado por Bolsonaro expõe escandalosamente o magistrado e seus próximos, escancarando as portas da corte, de banda a banda, para a visualização de movimentos internos no TSE cuja máxima discrição seria o ideal para os bolsonaristas.

VÊ-SE, COM NITIDEZ,
pelo noticiário em todas os formatos de mídia, que o atual presidente do TSE, um ministro do STF nomeado por Bolsonaro, trouxe o outro ministro do STF nomeado por Bolsonaro (Mendonça), também integrando o Tribunal Superior Eleitoral, para fazer dupla num colegiado de três que julgará uma questão crucial: a propaganda eleitoral! Dois ministros identificados como terrivelmente bolsonaristas num fórum de três é de lascar. As lupas focam também no fato, quase despercebido, que duas outras ações, movidas contra o galopar de Flavito B em torno do filme-crime Dark Horse, foram parar na mesa de um mesmo ministro indicado por Bolsonaro (matéria no site https://valor.globo.com/). Enxerga-se ainda mais – através de reportagem na direitista revista Oeste, dentre outros veículos destros – que o indicado por Bolsonaro teria nomeado uma juíza, apontada como namorada de um ministro indicado por Lula (Toffoli), para um cargo comissionado especialmente criado no TSE nessa gestão Nunes-Mendonça, induzindo – a Oeste e outras mídias de direita – com esse gesto a suspeição de cooptação da autoridade indicada pelo petista (em 2009) para decisões em 2026. Valei-nos Padim Pade Ciço!

NÃO É JUSTO ANTECIPAR
julgamentos. A conduta geral – e não um fato isolado – dos magistrados indicados pelo presidiário Jair é o que vai balizar as avaliações sobre a atuação deles no Tribunal Superior Eleitoral. A coisa não começa bem, é verdade, mas teremos muito chão (quente) pela frente, inclusive várias pesquisas próximas. Toda vigilância será pouca, como já se percebe. Vamos adiante, como dizia o slogan do saudoso Marcos Freire na campanha vitoriosa ao Senado por Pernambuco, em 1974: sem ódio e sem medo.

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