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Um nome certo para desobstruir o coração da democracia

Por Enio Lins 03/06/2026

JOSÉ WANDERLEY, médico cardiologista, pioneiro e mestre dos transplantes de coração no Nordeste, teve o nome apresentado como pré-candidato ao Senado pelo MDB. Não é um novato na política: está deputado estadual (eleito em 2022, com 43.512 votos), foi candidato a prefeito de Maceió (2004, com 67,5 mil votos), vice-governador de Alagoas em duas ocasiões (2007/2011 e 2022/2023), participou ativamente das campanhas pela redemocratização do país a partir dos anos 70.

ESTA ELEIÇÃO
para o senado federal desempenha papel estratégico. A extrema-direita e o fisiologismo desenfreado têm avançado assustadoramente na ocupação de espaços e alterado o tradicional papel – de um conservadorismo sóbrio – desempenhado pela casa. Casa que já foi sinônimo de expoentes como Rui Barbosa, Pinheiro Machado, Petrônio Portela, Teotônio Vilela, Tancredo Neves, Darcy Ribeiro, Abdias Nascimento... até a direita de origem militar brilhou com a erudição do coronel Jarbas Passarinho, e o fascistóide capitão Felinto Muller se impôs sem torturar ninguém por lá. O senado soube se manter, na maior parte de sua longa história, como instância que prezava por sua dignidade e compostura. Está deixando de lado essa significação e mergulhando, desde 2019, na pequenez e sordidez de resíduos morais do tipo Flavito Dark Horse, filhinho de papai presidiário candidato à presidência da República.

QUANDO, EM
14 de setembro de 2023, o STF condenou o primeiro dos réus nos julgamentos pela tentativa de golpe de 8 de janeiro, a facção do Jair – em polvorosa – decidiu ter como objetivo estratégico ocupar o máximo de cadeiras no Senado para se contrapor à Justiça, perseguindo e promovendo o impeachment de ministros que tivessem coragem de os peitar. A quadrilha do mito chegou a divulgar, através de seus porta-vozes na mídia, que o bolsonarismo elegeria 44 senadores em 2026 que, somados a supostos 15 direitistas extremados já presentes na casa, alcançariam a marca de 59 cadeiras, superando o quórum de 49 votos necessários para destituir ministros dos tribunais superiores e o cometimento de outras barbáries.

PARA COMBATER O RISCO
de ocupação do senado pela facção bolsonarista, em todos os Estados brasileiros ocorrem mobilizações extras para a escalação de nomes que atuem eficientemente na guerra pelos dois votos senatoriais. Em Alagoas, esse esforço democrático estava em busca de um nome viável eleitoralmente para fazer dupla-de-área com Renan Calheiros, até então único antibolsonarista com chances reais na disputa. Nesse contexto, José Wanderley topou a parada (nada fácil) de nadar contra a corrente no Estado em que o bolsonarismo tem a maior força em toda Região – Maceió, não se esqueçam, foi a única capital nordestina em que Lula não ganhou em 2022.

NA WIKIPÉDIA, O CURRÍCULO
médico de José Wanderley brilha, ainda que resumido: “professor do Departamento de Cirurgia da UFAL, chefe do Serviço de Cirurgia Cardiovascular e diretor do Instituto de Doenças do Coração de Alagoas, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, membro fundador da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, ex-presidente da Sociedade Alagoana de Cardiologia, ex-presidente da Sociedade Norte-Nordeste de Cardiologia, ex-presidente da Sociedade Norte-Nordeste de Cirurgia Cardiovascular, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, ex-secretário de Saúde de Alagoas, ex-presidente do Conselho Regional de Medicina de Alagoas, ex-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) e orientador da Liga Acadêmica Cardiovascular da UFAL”. Não é mito, é verdade.

JOSÉ WANDERLEY
passa a ser mais uma grande esperança para ajudar a salvar a saúde do Senado, contribuindo para evitar que o coração da Democracia seja obstaculizado pelo crescimento das perniciosas calcificações bolsonarianas.

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