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Um personagem singular, sertanejo construtor de sonhos

Por Enio Lins 02/06/2026

PEDRO LÚCIO ROCHA morreu no dia 21. Legítimo homem do povo, seria um forte candidato a desaparecer da memória alagoana não fossem os registros feitos, dentre outros, por Álvaro Machado, Etevaldo Amorim e Edberto Ticianeli. Copio e colo-os:

ÁLVARO MACHADO,
pelo Instagram (@alvaroantoniomachado), postou: “Hoje Pão de Açúcar perdeu um dos personagens mais identificados com sua história. Perdeu, fisicamente, Pedro Lúcio Rocha. E apenas assim, pois na história de Pão de Açúcar, daqui pra frente, Pedro Lucio será sempre lembrado pelo muito que fez por nossa terra. De origem humilde, nascido na caatinga do sertão, Pedro lutou contra todas as formas de preconceitos e discriminação. Por seu único e exclusivo mérito, venceu e foi longe, bem além do que muitos letrados não conseguiram chegar. A ele, Pão de Açúcar deve o exemplo aguerrido do líder sindical, que estruturou e deu força ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais na difícil época da ditadura; o exemplo do líder nato que ficou à frente de projetos que uniam o social e o cultural. Foi assim na criação do jornal A Pátria, na organização de festivais de músicas e de poesias, nos esportes, na radiofonia. Tornou realidade dois dos maiores símbolos de Pão de Açúcar: a bandeira e o hino oficial (...)”.

ETEVALDO AMORIM,
em seu blog (https://blogdoetevaldo.blogspot.com/), indica, com um inspirado título criado por Érico Abreu – “O Construtor de Sonhos” – as origens do notável Pedro: “nasceu em 15 de junho de 1938, na humilde morada do casal Lúcio Rocha e Maria do Céu. Migrou para o Rio de Janeiro. Serviu ao Exército, provavelmente no final da década de 1950. Nessa ocasião, como parte de suas atribuições de soldado, teria, supostamente, ‘carregado a mala de Fidel Castro’. De fato, o emblemático líder da revolução cubana, recém vitoriosa em 1959, esteve em visita ao Brasil naquele ano (...). Figura singular, marcou sua passagem pela nossa comunidade como um propulsor do desenvolvimento sociocultural, político e associativo. Tal singularidade se justifica pelas suas indiscutíveis qualidades de homem público (ativo, dinâmico, empreendedor), mas também pelas suas características pessoais. Pedro foi um autodidata. A limitada instrução formal era suprida por uma incomparável capacidade de formular o seu pensamento. Sua oratória vibrante, de pretensão erudita, o tornava único e inigualável, embora muitos o imitassem na forma e no tom. Era comum ouvi-lo evocar a força de Castro Alves, ao proclamar que ‘a praça é do povo como o céu é do condor’” (...).

EDBERTO TICIANELI
reeditou no site História de Alagoas, em 06/06/2018, um artigo publicado originalmente em 01/07/1979, na Gazeta, por Álvaro Machado, então formando em Medicina e correspondente gazetiano na antiga Jaciobá: “Há pouco mais de um mês, a Câmara de Vereadores de Pão de Açúcar ganhou um novo membro: o edil Pedro Lúcio Rocha, primeiro suplente da Arena, que preencheu a vaga deixada pelo vereador Germino de Araújo Costa, falecido em desastre automobilístico. É a terceira legislatura de Pedro Lúcio, um destemido vereador que, apesar de ter apenas o curso primário, sempre gostou de ter um microfone às mãos e, com ele, falar em alto e bom som para o povo de sua terra, sobre qualquer assunto de interesse coletivo”. E cita uma ocorrência que rendeu charge do Nunes. Leia na íntegra em https://www.historiadealagoas.com.br/sol-causticante.

TIVE A HONRA DE 
testemunhar essas singularidades citadas por Álvaro, Etevaldo, Edberto, Érico, e também lembradas pelo prefeito de Pão de Açúcar, Jorge Dantas, na nota oficial. Sua oratória era contagiante, assim como sua coragem de ser o que era, de expor seus pensamentos e traçar seus próprios caminhos. Não temeu obstáculos políticos nem materiais, enfrentou preconceitos universais, limitações pessoais e de classe – venceu tudo, em seu tempo e a seu modo. Viva Pedro Lúcio!

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