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Audiovisual em debate e em projeção na cena arapiraquense

Por Enio Lins 28/05/2026

ARAPIRACA, A MAIOR CIDADE do interior alagoano, é município relativamente jovem, fundado em 30 de outubro de 1924. Seus 102 anos de existência oficial parecem documento de menor de idade quando comparados aos 461 anos de Penedo, 451 anos de Porto Calvo e 435 anos da Vila Madalena do Sumaúma (hoje Marechal Deodoro), as três povoações seminais de Alagoas. A pujança arapiraquense, entretanto, a torna singular, e sua relevância socioeconômica é produto de uma comunidade nascida e crescida sobre o minifúndio produtivo, ao contrário do perfil latifundiário típico na imensa maioria do Brasil. Sua urbanidade, recente, ignora o barroco repleto de curvas e contracurvas. Arapiraca nasce com as linhas retas do protomoderno, cresce com o modernismo, amadurece – e se rejuvenesce – com a mistura geral do contemporâneo.

HOJE E AMANHÃ
a cena cultural arapiraquense celebra 10 anos de atividades do Núcleo de Audiovisual de Arapiraca (NAVI), com uma com mostra especial sobre memória, território e formação audiovisual. Segundo a organização do evento, “há uma década, o NAVI vem transformando histórias em imagens, memórias em cinema e territórios em potência criativa. Em Arapiraca, o projeto consolidou-se como um espaço de formação, experimentação artística e incentivo ao audiovisual independente, reunindo jovens realizadores, artistas e comunidades em torno da arte de contar histórias”.

WAGNO GODEZ, CINEASTA,
explica que “a proposta da mostra é reafirmar o núcleo como um projeto sólido de formação audiovisual, celebrando a jornada ao longo da última década e os vínculos construídos através do cinema. Mais do que exibir filmes, a mostra propõe encontros entre lembranças, afetos e experiências coletivas. Cada produção carrega fragmentos de vidas, ruas, comunidades e sentimentos que ajudam a construir a identidade cultural do interior alagoano”.

LUCIANO BARBOSA,
prefeito e apoiador da programação, é produto e produtor dessa cultura não-tradicionalista que marca a Capital do Agreste. Desde os tempos de estudante que Luciano se empenha nas iniciativas culturais e educativas na cidade, centro de sua militância desde a juventude, nos anos 80, promovendo cursos de formação, debates, mostras de arte e cinema, literatura, artes plásticas. Expoentes como Zezito Guedes, João do Pife, Hermeto Pascoal, Maestro Jovelino, Renan Padilha, Ismael Pereira, Fernando Melo, assim como o cantar das destaladeiras de fumo eram, e continuam a ser – alguns hoje em memória – referências pioneiras dessa contemporaneidade arapiraquense. O NAVI compõe esse cenário.

VILA VINIL É O LOCAL
da programação, que tem como tema “Memória e Território”. O endereço é rua Alan Kardec, 1118, Santa Esmeralda. Informa Wagno: “antes da mostra, entre 16 e 24 de maio, o projeto realizou a OFICINAVI – Oficina de Quadrinhos, em parceria com o Clube 42. Nosso roteiro é a ampliação do diálogo entre diferentes linguagens artísticas e reforçar o compromisso do NAVI com a formação criativa, e teremos outras pautas ainda neste ano, como parte das comemorações pela primeira década”.

HOJE, A ABERTURA
oficial será às 19 horas, com o tema “A importância da formação e educação no audiovisual”, seguida pela exibição dos filmes “Ana Terra” (20 minutos), “Segunda-feira” (12 minutos), e “Memórias de um Bar de Memórias” (32’). Amanhã, sexta-feira, a programação terá o debate “Memórias – A trajetória do NAVI”, e projeção dos filmes “Leve Amar” (12’40”), “Avalanche” (21’), “Besta Fera” (22’), e “O Homem das Coisas – NAVI nas Comunidades” (13’). O projeto está sendo realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (aplausos para o governo Lula!) e operacionalizado pela Prefeitura de Arapiraca, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, pilotada pela jornalista Mônica Nunes.

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