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A trágica revolta dos escravos em Carrancas
Em 13 de maio de 1833, a exatos 55 anos antes da Lei Áurea, explodiu a violenta Revolta de Carrancas, em Minas Gerais. Foram mortas pelos escravos revoltosos sete pessoas da família proprietária das fazendas Campo Alegre e Bella Cruz. A rebelião foi contida antes de se espalhar, mas deixou evidente o altíssimo grau de revolta dos escravizados pelas condições de existência as quais eram submetidos.
Explica a Wikipédia: “A região de Carrancas era conhecida pela grande concentração de trabalho escravo. Dos 4.053 habitantes da freguesia, 62,5% (2 494) da população eram pessoas escravizadas e 38,5% (1 559) eram pessoas livres”. Maltratada pelos senhores de escravos, a população escravizada acumulou e engoliu o sentimento de revolta até que tudo explodiu naquele dia e da forma mais violenta possível, numa única área, mas sem um plano organizado para o momento seguinte. Os rebeldes não planejaram o que fazer depois do ataque aos escravocratas.
“Dos 31 escravizados denunciados como revoltosos nesse processo, nove (29%) eram crioulos [nascidos no Brasil], dezessete (54%) africanos da África Centro-Ocidental e dois provenientes da África Ocidental. Embora a Revolta de Carrancas tenha sido realizada com a participação majoritária de pessoas escravizadas de origem africana, a presença dos crioulos foi bastante significativa, dois deles foram processados como ‘cabeças’ no crime de insurreição. A revolta uniu pessoas escravizadas de diferentes origens com uma mesma finalidade: a liberdade”, segue explicando a Wikipédia. Existe a suspeita de que um senhor de escravos, Francisco Silvério Teixeira, possa ter incentivado a rebelião, provavelmente interessado em se apropriar das fazendas da família Junqueira – isso é mera hipótese, mas ilação baseada nos autos do processo.
Ventura Mina, escravo apontado como o líder da rebelião, foi morto nos combates do dia 13 de maio, juntamente com os rebeldes João Inácio Firmino, Matias e Antônio Cigano. Os demais escravos rebelados foram presos, e desses, 16 receberam a condenação à morte. Foram enforcados publicamente em São João del-Rey. Apenas um dos sentenciados, Antônio Resende, conseguiu se livrar da pena capital, pois se apresentou como voluntário para executar seus próprios companheiros. Depois de enforcar seus 15 parceiros, foi anistiado pelo imperador Pedro II.


