Posts

Último dia do regime monárquico na China

Por Enio Lins 12/05/2026

No dia 12 de maio de 1912, aos seis anos de idade, e quatro anos como monarca chinês, Pu Yi é destituído do trono, passando para a história como o Último Imperador da China – denominação que se tornaria uma legenda internacional com o lançamento, em 1987, do filme de mesmo nome (dirigido por Bernardo Bertolucci).

Também conhecido pelo nome oficial de Xuantong, foi o décimo-primeiro e derradeiro monarca da Dinastia Qing, de origem Manchu, que revezou parentes no comando da China por 268 anos, desde 1644. A chamada Revolução Xinhai, em 1911, mudou a velha história e liquidou com a monarquia, num processo cujo ponto alto foi a renúncia do imperador-menino que só teve conhecimento de que não mais reinava. Sua vida foi uma sucessão de manipulações políticas em torno de sua figura imperial (usado como “rei” pela aristocracia chinesa e pelo Japão) até o final da II Guerra Mundial, quando foi preso pelos soviéticos e devolvido à China em 1949, depois da vitória dos comunistas. Julgado e condenado por crimes de guerra (como aliado dos japoneses), passou pelo chamado “processo de reeducação” e viveu o resto de seus dias, até 1967, como simples cidadão, trabalhando como jardineiro e como bibliotecário. Morreu aos 61 anos.

Pu Yu escreveu uma autobiografia, detalhando as peripécias de sua atribulada vida. Esse livro foi a base sobre a qual foi escrito – por Bernardo Bertolucci e Mark Peploe – o roteiro da superprodução The Last Emperor (O Último Imperador), obra ganhadora de nove estatuetas no Oscar 1988, cinco prêmios no Globo de Ouro 1988, e 11 troféus no BAFTA 1989, dentre outras premiações mundo afora.

Charges