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Viva o Dia dos Trabalhadores! Reviva o Dia dos Trabalhadores!

Por Enio Lins 01/05/2026

PRIMEIRO DE MAIO! Mais um na longa trajetória deste dia histórico, reverenciado há 137 anos. Na primeira nota disponível no Google, lê-se: “O Dia Mundial do Trabalhador, 1º de maio, surgiu em homenagem à greve geral iniciada em Chicago (EUA) em 1º de maio de 1886, que exigia a redução da jornada para 8 horas. Confrontos violentos com a polícia na ‘Revolta de Haymarket’ resultaram em mortes e prisões, tornando a data um símbolo internacional de luta operária desde 1889”.

MAIS ALÉM VAI A WIKIPÉDIA,
informando que a greve foi gigantesca, mobilizando 340 mil operários em todo território estadunidense. No dia 4 de maio, num confronto entre grevistas e policiais na Haymarket Square, em Chicago, uma bomba explodiu e matou um policial; mais sete pessoas foram mortas no tumulto que se seguiu. Cinco militantes anarquistas foram presos, acusados e condenados à morte: Albert Parsons, Adolph Fischer, Louis Lingg, George Engel
e August Spies. Lingg teria cometido suicídio na prisão; os outros quatro, enforcados no dia 11 de novembro de 1887. Complementa a Wikipédia: “em 1893 [todos] eles foram inocentados e reabilitados pelo governador de Illinois, que confirmou ter sido o chefe da polícia quem organizara tudo, inclusive encomendando o atentado para justificar a repressão que viria a seguir”.

É O PRIMEIRO DIA
de comemoração internacional consagrado, independentemente de governos, igrejas, ou instituições ligadas às classes dominantes em cada país. O 1º de maio é a data pioneira como referência global de caráter contestatório, no que foi acompanhada, pelo que viria a ser o Dia Internacional das Mulheres, festejado pela primeira vez em 20 de fevereiro de 1909, numa iniciativa do Partido Socialista da América, em defesa da igualdade de direitos e em favor do voto feminino – posteriormente, a efeméride foi deslocada para 8 de março. O Dia dos Trabalhadores nunca mudou de data, mas tem variado muito de conteúdo, infelizmente.

AO LONGO DESSES 137 ANOS,
sua essência tem oscilado, mas a data nunca deixou de ser comemorada. No Brasil, durante o Estado Novo, foi abduzida pelo ideário direitista inspirado na Alemanha nazista e na Itália fascista, redesenhada como mobilização de massas em torno da subserviência pomposa ao capital. Durante a ditadura militar, entre 1964 e 1985, ao contrário da imponência varguista, a data foi asfixiada e manietada pelo regime autoritário, e as sabujices do peleguismo fizeram a festa por muitos anos, até que o 1º de maio de 1979 no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, São Paulo, transbordou com mais de 150 mil pessoas. Ali, há 47 anos, foi reacendida a luz da combatividade e independência de classe, que são as características essenciais, seminais, da data revolucionária. Nos últimos anos, esse lume ficou bruxuleante.

QUE TEMOS NOS TEMPOS ATUAIS, 
no Brasil e no mundo, a cada 1º de maio? Primeiros de maio secundários, distantes da essência classista. As esquerdas não têm conseguido reencontrar o caminho, o que exige – antes da criatividade – compreensão das transformações da sociedade no geral e, no particular, entender as inovações que assolam o mundo do trabalho. Pensa-se ainda na carteira de trabalho, nos direitos e deveres da CLT, enquanto a pejotização avança como fogo morro acima. Vivemos tempos em que a luta hercúlea para reduzir a carga da escala 6x1 não toca corações e mentes de milhões que sobrevivem na uberização. Nenhuma manifestação de massas foi realizada em defesa da mudança da jornada de trabalho, e isso quer dizer alguma coisa. O mundo mudou, mas a luta de classes não acabou. Surgiram novas contradições cujas particularidades precisam ser entendidas. O Dia do Trabalhador é dia de trabalho para pensar, ousar mudar metas e métodos para seguir mobilizando, conscientizando e lutando.

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