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Quando programa de índio é sinônimo de sucesso, avanço e conscientização

Por Enio Lins 30/04/2026

EM PARICONHA, HOJE, serão concluídos os trabalhos do III Seminário Abril Indígena, ciclo de debates e apresentações culturais que debateu pautas dos povos originários no Alto Sertão alagoano durante dois dias intensos. O evento é parte de uma política permanente de aprofundamento e projeção das causas indígenas, e reflete uma parceria entre o Grupo de Estudos Oeste Alagoano, UFAL Campus Sertão, FUNAI, Sintietefal e o Curso de Especialização em História de Alagoas do IFAL, com o apoio da prefeitura pariconhense.

SÁVIO DE ALMEIDA,
um dos maiores intelectuais alagoanos, estudioso dos povos originários, foi um dos fundadores do Grupo de Estudos Oeste Alagoano, juntamente com os professores e pesquisadores Amaro Hélio e Edvaldo Nascimento. Ambos seguem firmes na luta e são os propositores da iniciativa do Abril Indígena. A agenda, em sua terceira edição, honra a memória do grande mestre Sávio, mantendo elevada a bandeira das causas indígenas em território alagoano e além-fronteiras, pois – como é público e notório – os espaços das populações ancestrais não se restringem aos limites geográficos traçados pelas administrações oficiais desde os tempos coloniais.

INTELECTUAIS E ATIVISTAS INDÍGENAS
são destaques nessa programação, numa afirmação do êxito na política de conquista do protagonismo – meritório e não apenas simbólico – das mentes e corações dos próprios povos originários. É revolucionário o feito de lideranças indígenas assumirem a vanguarda de suas causas étnicas, da formulação de seus programas, dos projetos e os estudos sobre suas próprias comunidades. Essa relevância pode ser lida, na programação do seminário, em nomes como Agamenon Karonã, Evirson Wiraktã, Aline Koiupanká, Cidinha Katokinn, Fábia Funiô, Thaís Katokinn, cacica Lincaraci Karuazu, cujos sobrenomes são, simultaneamente, afirmação étnica e compromisso de engajamento.

RESSALTA-SE TAMBÉM,
na programação, a africanidade de Bijagó, Vagner. E mais: nos sobrenomes de origem lusitana presentes na agenda pariconhense estão genuínas lideranças indígenas como Antônio Manoel da Silva, cacique Pancaiaucá; e noutras tantas denominações latinas habitam etnias miscigenadas com os povos originários (e africanos) como em quase a totalidade da população brasileira. Edvaldo Nascimento e Amaro Hélio são dois dos eloquentes exemplos dessa presença mestiça ampla geral e irrestrita. Mas o mais importante nesse cenário, alvissareiro, repito, é o protagonismo de lideranças indígenas na pesquisa das suas próprias raízes e e formulação de suas demandas contemporâneas. O III Seminário Abril Indígena, em Pariconha, Alagoas, é um grande exemplo a ser seguido e prestigiado, e não apenas aplaudido.

NA AGENDA DESTA QUINTA-FEIRA,
três rodadas de debates, na Aldeia Jiripancó: das 9 às 11 horas, “Educação, Juventude e Território”. Das 13 às 15 horas, “Educação, Gênero e Identidade: o papel da mulher indígena”. Das 15 às 16:30, “Território como Espaço de Resistência e Educação”. Às 18 horas, mesa de encerramento da jornada de discussões, com homenagem póstuma a Cicinho Jiripancó. Às 19 horas, no Cine Teatro José Mariano, em Pariconha, apresentação musical de Gean Ramos Pancararú, artista nativo da aldeia Pancararú, em Pernambuco, que teve, em 2016, seu CD “Inversões” indicado ao Grammy e ao prêmio Indigenous Music Awards, como melhor disco produzido por indígenas do mundo. Taí um programa magnífico! Parabéns! Um toré para toda equipe responsável.

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