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JHC e a arte e a ciência da suposta indefinição na política

Por Enio Lins 29/04/2026

PARA O BEM OU PARA O MAL, a depender de quem julgue, JHC – até agora – consegue ser o centro das atenções para as eleições deste ano em Alagoas. Suas indefinições e/ou seus passes curtos, tocando a bola para lá, para cá, para acolá, ou fazendo uma embaixadinha consigo mesmo, tem dado a tônica do jogo e concentrado as atenções das torcidas, coisa fundamental para quem necessita do chamado voto solto, ou de opinião.

É TÁTICA CORRETA
para quem não possui extensa base orgânica, nem compromissos ideológicos rígidos, ou sólido histórico de vínculo partidário. Explora todas as possiblidades e mantêm-se em evidência durante um tempo precioso, no decorrer do qual só tem lucrado. Manteve a expectativa na opinião pública até o derradeiro momento da desincompatibilização e mantém, pelo menos até quando estas linhas estão sendo digitadas, as expectativas em torno do cargo ao qual se candidatará e qual aliança poderá fazer (ou se caminhará solitário) para a disputa do voto alheio.

TODAS SÃO AS OPORTUNIDADES 
para quem, com boa poupança na caixa de votos, possa se colocar como alternativa entre dois (ou mais de dois) blocos consolidados na política. No atual cenário alagoano, JHC pode ser candidato a governador, a senador – ou até mesmo a deputado, se decidir fazer uma bancada para chamar de exclusivamente sua –, e escolher entre quase todas as opções de aliança, pois tem poucos adversários intransigentes (mas os tem, não é uma unanimidade universal no reino dos deuses, e alguns de seus – poucos – desafetos possuem muito cacife).

MAS NEM TUDO SÃO FLORES
para o futuro do ex-prefeito. Toda essa fartura de chances corresponde um certo grau de risco, até porque passa a chamar muito a atenção para a política de voo solo, e quem teime em planar sozinho por muito tempo nos céus da política se torna alvo preferencial de todas as baterias antiaéreas. Política é compartilhamento, é arte de construir alianças. Solidão e poder é combinação fatal – mais cedo ou mais tarde – para qualquer carreira promissora.

UM DOS RISCOS É GANHAR
a hostilidade de todos os demais protagonistas por conta do movimento de vai-e-vem em relação a cada grupo. Com a confiança minada, a pretendida autonomia se transforma rapidamente numa condenação ao isolamento. Muitos fenômenos eleitorais em Alagoas encerraram prematuramente suas carreiras por ações parecidas, como o saudoso Sabino Romariz, celebridade da comunicação de massas em seu tempo, um dos deputados proporcionalmente mais votados para a Assembleia Legislativa (em 1986), um cavaleiro solitário que foi engolido pelo mundo implacável da política real em apenas quatro anos (ou menos).

TANCREDO NEVES,
sinônimo de mineirice (no sentido de sabedoria e pragmatismo), entre suas máximas famosas, gostava de uma que diz o seguinte “A esperteza, quando é muita, fica grande e come o dono”. Esse é um cuidado necessário a qualquer atividade social, e na política deveria ser entendido como um mantra. Moderar a argúcia é estender a sobrevivência em ambientes de alta competitividade.

EM RESUMO, PODE-SE
dizer que – até agora – a movimentação de JHC tem sido ousada e astuciosa, e seus dribles têm conferido uma agitação poucas vezes vista no processo pré-eleitoral, acrescentando interrogações onde antes só existiam exclamações. Tem alegrado ao público, animado as torcidas, insisto. Ainda dispõe de um bom tempo para exibição das firulas do futebol-arte, entretanto a hora de chutar a gol se aproxima. É um craque. Mas precisa definir em qual time vai jogar, ou se vai continuar como equipe de um atleta só.

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