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O bandido de estimação do Jair e a treta com o ICE de Trump

Por Enio Lins 23/04/2026

AINDA REVERBERAM questões decorrentes da surpreendente prisão do meliante Alexandre Ramagem, nos Estados Unidos. A detenção, perfeitamente de acordo com a legislação estadunidense, surpreendeu porque o autocrata Trump tem manipulado tais leis escandalosamente em benefício de seus interesses pessoais – e o citado fugitivo é um dos muitos comparsas da facção trumpista e, portanto, não deveria ser incomodado. Tanto é assim que o bandido foi liberado da cadeia, e o policial brasileiro que identificou o marginal foi expulso de solo americano por ter cumprido seu dever.

RAMAGEM É EXEMPLO
de autoexílio milionário que não pode ser explicado fora do financiamento pelo crime organizado. Sem fonte de rendimentos, posto ter perdido o mandato de deputado, e demitido da Polícia Federal, reside em Orlando, na Flórida – informa O Globo –, numa mansão “de 329 m², com cinco quartos e cinco banheiros, em uma região residencial de shoppings e parques”. Diz a reportagem que a imobiliária responsável informou ter negociado a mansão pelo equivalente (em dólar) a R$ 4 milhões, sem repassar o nome do comprador oficial. A mulher do malandro, Rebeca, recebe dinheiro público sem aparecer no trabalho, mas essa grana – paga pelo estado de Roraima – não dá pra tanto luxo da família no exterior. O fato é que o marginal vive como um playboy nos Estados Unidos, sob a proteção do governo Trump.

UM DOS ITENS
pitorescos do currículo do fugitivo Alexandre Ramagem é dele, na condição de delegado da PF, ter sido chefe da segurança do então candidato Jair Messias, em 2018. A imprensa amiga berra que ele chegou a esse posto “depois da facada!”, para se contrapor aos boatos de que Ramagem estaria pessoalmente protegendo o mito no dia da peixeirada mágica que, apesar de não ter furado a camiseta nem vertido sangue do Jair, o elegeu. Fazendo parte ou não da segurança do esfaqueado na hora H, Ramagem, indicado por Jair como diretor-geral Agência Brasileira de Inteligência, colocou lá agentes que não criaram dificuldades para Adélio Bispo cometer o inverossímil esfaqueamento. Em 19/12/2020 o site terra.com.br publicou: “O diretor-geral Alexandre Ramagem levou para a Agência Brasileira de Inteligência ao menos cinco integrantes da Polícia Federal - parte deles envolvidos na segurança do presidente Jair Bolsonaro durante a campanha de 2018”, identificando nesse grupo dois policiais que estavam na segurança do Jair em Juiz de Fora, no dia 6/9/2018, “Marcelo Araújo Bormevet, que faz militância virtual e elogia os filhos do presidente nas redes sociais, [e] Flávio Antônio Gomes”.

NO REBU QUE CAUSOU
a demissão de Sérgio Moro da sinecura como ministro da Justiça, Ramagem aparece na fita. O marreco do Paraná dançou por tentar disputar com Jair o controle da Polícia Federal. Levou um pé na bunda, e denunciou que os Bolsonaros queriam aparelhar a PF para impedir investigações sobre eles próprios. E quem Jair indicou para fazer esse serviço sujo na PF? Ramagem, o próprio, que exsudava promiscuidade com a familícia, circulando pelas redes sociais em badalações ao lado de Carlucho Bolsonaro e Léo Índio, e outros casais. Atendendo a mandados de segurança impetrados pelo PDT e PSOL, em abril de 2020, Alexandre de Moraes, o Xandão, vetou a ida de Xandinho para o estratégico cargo na PF. O delegado privado dos Bolsonaros continuou na Abin.

NO COMANDO DA ABIN, 
Ramagem viria a ser um dos personagens centrais na organização do golpe de estado tentado por Jair para reverter a derrota de 2022. A PGR apontou o indício de pelo menos dez crimes cometidos por Xandinho Ramagem durante sua gestão. Em setembro de 2025, julgado e condenado, fugiu para os Estados Unidos, homiziando-se em Orlando, com todo luxo, até o ICE de Trump lhe dar um susto. Bichinho! Mas já passou: está novamente impune, rico e feliz.

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