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Um louco pelo poder quer assombrar e ameaçar o mundo
TRUMP ENDOIDOU? Atacar o Papa e insinuar-se como Jesus – ousando postar-se numa imagem como Cristo em trajes alvirrubros (sua cor partidária, dos Republicanos) – não são atitudes de quem se proclama conservador e defensor dos valores cristãos. Isto porque Leão XIV criticou a guerra e pediu para que Estados Unidos, Israel e Irã construam um entendimento pela paz. Antes, no dia 7 de abril, o sumo pontífice católico havia dito que era “inaceitável” a ameaça que “uma civilização inteira morrerá”.
LEÃO XIV tem se caracterizado pela discrição, chega a ser lacônico quando comparado a Francisco I, Bento XVI e João Paulo II. Como liderança suprema da maior e mais antiga igreja cristã do mundo, o Bispo de Roma não poderia ficar sem falar nada sobre a matança no Oriente Médio e, particularmente, silenciar sobre a ameaça real de destruição uma civilização, a persa, na qual – além de todos os valores humanitários – sobrevivem, espalhadas pelo território iraniano, referências materiais dos mais longevos cultos religiosos, inclusive edificações dos primeiros séculos do cristianismo, como o Mosteiro de São Tadeu, o Qara Kelisa, construído no século VII, a Catedral de Vank–Isfahan, no século XVI, e a Igreja de Santa Maria de Tabriz, no século XII, reconhecidos pela UNESCO como patrimônios da humanidade.
NA DUPLA PROVOCAÇÃO feita por Donald Trump estão contidos fundamentos autocráticos ancestrais, sendo o mais antigo deles o mito de que os reis representam os deuses. Essa concepção vigorou no Japão até o final da II Grande Guerra, e só deixou de existir legalmente em 1º de janeiro de 1946, quando o Imperador Hiroito publicou a “Declaração de Humanidade”, renunciando a sua condição de “divindade reencarnada, descendente de Amaterasu, a deusa do sol”. E para que a sociedade nipônica aceitasse isso foram necessárias duas bombas atômicas. No dito Ocidente, a perda do status divinal dos reis começou três séculos antes, em Londres, no dia 30 de janeiro de 1649, com a decapitação de Carlos I, rei da Inglaterra, Escócia e Irlanda; Carlos perdeu a cabeça quando tentou peitar todas as demais forças políticas de seu reino apoiado exclusivamente em sua suposta ligação com o divino. O processo de desdivinização dos reis na banda ocidental foi concluído quando a guilhotina desceu - no dia 21 de janeiro de 1793, em Paris – sobre o pescoço do “cidadão Luís Capeto”, o ex-rei Luís XVI, ex-monarca absoluto, por direito divino, da França e Navarra.
“NO KINGS!”, não por coincidência, é a bandeira aglutinadora dos protestos da banda da população estadunidense que resiste bravamente ao autocrata e oligarca Donald Trump. “Sem Reis!” evoca o brado dos guerrilheiros, nos idos de 1675, na então colônia inglesa na América, em rebelião contra o Rei George III, monarca do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda e senhor absoluto de meio-mundo de colônias, inclusive 13 situadas na costa leste do que viria a ser os Estados Unidos, cuja independência foi proclamada em 4 de julho 1776, mas só reconhecida em setembro de 1783, depois de oito anos, quatro meses e 15 dias de guerra aberta entre os plebeus americanos e a monarquia inglesa (que ainda se achava ungida por deus, mesmo depois da cabeça Carlos I ter rolado, 134 anos antes). Em 28 de março deste ano, uma nova onda de protestos contra “King Trump”, a terceira desde 2025, se irradiou por mais de três mil cidades nos 50 estados americanos, mobilizando milhões de pessoas denunciando o monarca da Casa Branca.
PROVOCAR O CRISTIANISMO é mais uma ação diversionista no reality show de Donald, aquele que quer dizer-se divino, acima da ética e das leis dos reles humanos, meros e desprezíveis mortais. Não é loucura, é método. Tais ações, aparentemente tresloucadas, são movimentos táticos seguindo uma estratégia definida: distraem o público do problema principal, atraindo a atenção geral para questões secundárias.

