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A sétima arte, imortal, de um sertanejo alagoano e brilhante

Por Enio Lins 14/04/2026

TAIRONE FEITOSA encerrou sua carreira no domingo, aos 84 anos incompletos. Se foi na terra onde veio ao mundo: Delmiro Gouveia, Alagoas. Nascido em 10 de junho de 1942, no município operário criado pela histórica Fábrica da Pedra, migrou para o Sudeste depois de se afirmar como cineasta no Recife, onde começou na lide das imagens em movimento na TV Jornal do Comércio, nos idos de 1963. Consagrado, décadas depois, optou por voltar para seu ninho no Sertão alagoano, onde viveu e trabalhou remotamente até o dia 12 de abril de 2026.

EDVALDO NASCIMENTO
– professor, pesquisador, historiador e ativista cultural de largo espectro –, amigo do grande roteirista, presta o seguinte depoimento: “Tairone Feitosa levou ao cinema o Sertão e suas representações culturais. Era um delmirense, sertanejo legítimo, que tinha DNA artístico, pois era filho de pai e mãe artistas de circo: Joval e Jovalina. Teve uma trajetória de muito amor ao cinema. E, no sertão alagoano, deixa uma enorme contribuição para uma nova geração de profissionais no audiovisual”.

“LÁ VEM O JUVENAL!”
é um vídeo documentário de 34 minutos, lançado em 2009, idealizado pelo professor Edvaldo Nascimento, com roteiro de Tairone Feitosa e direção de Hermano Figueiredo. Conta a história de Juvenal Machado – não por coincidência, nascido em Delmiro Gouveia, Alagoas –, considerado o maior jóquei brasileiro, pentacampeão do Grande Prêmio Brasil, nos anos de 1979, 1982, 1986, 1987 e 1990, montando, respectivamente, Aporé, Gourmet, Grimaldi, Bowling e Flying Fin. Um grande filme, curta-metragem, que toda Alagoas devia conhecer, para conhecer-se melhor através de algumas de suas crias mais notáveis, como o jóquei Juvenal (o protagonista) e Tairone Feitosa (o roteirista) – assinale-se que o diretor Hermano Figueiredo, paraibano, é também alagoano de coração. Esse trabalho é um dos (muitos) filmes sobre temáticas alagoanas que deveriam ser exibidos periodicamente, permanentemente, em todas as instituições de ensino de Alagoas.

DEZ SÃO AS OBRAS
principais listadas pela Internet como sucessos brasileiros, nos sítios especializados sobre cinema, cujos roteiros são assinados por Tairone Feitosa: Luiz Gonzaga: Légua Tirana (2025), O Veneno da Madrugada (2005), Mandacaru
(série de TV, entre 1997 e1998), Luzia Homem (1988), A Dança dos Ossinhos (1987), Ele, o Boto (1987), O Homem da Capa Preta (1986), A Máfia no Brasil (1984 – TV, 10 episódios), Rabo-de-Saia, (1984 – TV, 20 episódios), JS Brown, o Último Herói (1980). Existem mais, como pode ser comprovado pela não inserção de “Lá vem o Juvenal” nessas listagens especializadas, deixado de fora, certamente, por não ter sido exibido em rede nacional. De sorte que podemos supor existirem outras tantas obras de Tairone que não estejam devidamente identificadas como tal, o que deve inspirar pesquisas sobre seu legado.

VÁRIOS SÃO OS ASTROS
radiosos alagoanos no cenário cinematográfico brasileiro: Tairone Feitosa, Emmanoel Cavalcanti, Sadi Cabral, Jofre Soares, Paulo Gracindo, Cacá Diégues – aqui listando apenas meia dúzia de veteranos que já encerraram suas carreiras, e que tiveram amplo reconhecimento nacional em vida. Alguns, como Pedro da Rocha e José Wanderley, conquistaram relativo destaque (menor do que fazem jus) também enquanto viviam. Outras tantas personalidades da sétima arte seguem produzindo filmes cada vez melhores e em maior quantidade, mas fico nesses oito para não cometer injustiças, pois neste espaço aqui não cabe uma listagem mais completa.

QUE O EXEMPLO
de Tairone Feitosa floresça, gere novos frutos, impulsione mais experiências. Que sua obra seja conhecida, espalhada pelos órgãos públicos das áreas de Educação e da Cultura, e pelas entidades não-governamentais, em retrospectivas ilimitadas como política de preservação e divulgação das artes e artistas das Alagoas.

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