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Sionismo criminoso se passando por semitismo respeitável
É O SIONISMO contemporâneo uma forma de racismo e terrorismo. Desde a origem do movimento, em 1887, na Europa, essa ideologia se respalda em dois pilares: 1) A digna revolta contra o antijudaísmo, preconceito contra o povo hebreu; 2) A tese mística da “terra prometida pelo deus de Israel para seu povo escolhido”. O primeiro pilar é expressão da resistência legítima contra o racismo que perseguiu os hebreus durante séculos como “raça inferior”; o segundo pilar é manifestação ilegítima do racismo israelense, considerando-se “a raça superior”, eleita por um deus exclusivo de sua etnia.
É O ANTISSEMITISMO um preconceito étnico. Abjeto. Significa o antagonismo à suposta descendência de um personagem mitológico – Sem – um dos filhos de Noé da Arca, este por sua vez, a 10ª geração de Adão. Rezam as lendas que dez gerações a partir de Sem, nasceu Abraão, que gerou oito filhos com três mulheres; do primogênito (com Agar) Ismael procriaram-se os povos árabes, e do segundo filho (com Sara), Isaac, descenderiam os hebreus. Diz a Internet: “Semitas são povos originários do sudoeste da Ásia, historicamente definidos por falarem línguas semíticas como hebraico, árabe e aramaico. O termo engloba grupos como árabes, judeus, amoritas, assírios e fenícios, referindo-se a uma família linguística e cultural”. Palestinos e judeus são igualmente semitas.
É O ANTISSIONISMO um posicionamento político. Legítimo. São antissionistas comunidades judaicas inteiras – os judeus Haredi, por exemplo, se opõem radicalmente a Israel por motivos religiosos. Diz-nos a Wikipédia: “O antissionismo judaico é tão antigo quanto o próprio sionismo (...). A oposição a um estado judeu [entre os judeus] mudou ao longo do tempo e assumiu um espectro diversificado de posições religiosas, éticas e políticas”. Somando os judeus antissionistas às demais etnias semíticas, a imensa maioria dos semitas é antissionista. Algumas das mais expressivas intelectualidades contemporâneas, de origem judaica, como Noam Chomsky, Edgar Morin, Judith Butler, Dorian Electra, Norman Falkenstein (autor do livro “A Indústria do Holocausto”) são aguerridos militantes antissionistas. Na Wikipédia, a categoria “judeus antissionistas” lista 47 páginas. Em 1948, Albert Einstein, Hannah Arendt e mais dezenas de personalidades judaicas publicaram no The New York Times uma carta aberta denunciando o grupo sionista de Menagem Begin (fundador do atual partido de Benjamim Netanyahu) como “muito parecido em sua organização, métodos, filosofia política e apelo social aos partidos nazistas e fascistas”. Como nunca dantes, o fascismo sionista precisa ser denunciado pelo expansionismo territorial e pelo terrorismo praticado contra a população originária da Palestina. A realidade piorou muito desde que judeus como Einstein e Arendt denunciaram o conteúdo nazista do sionismo de gente como Begin.
NO BRASIL, TRAMITA na Câmara Federal o Projeto de Lei nº 1424/2026, igualando antissionismo a antissemitismo. Se aprovado, pelo § 2º do Artigo 2º, penalizará manifestações que possam “ter como alvo o Estado de Israel, encarado como uma coletividade judaica”. O documento legitima o caráter racista do estado israelense (que seria exclusivo de uma etnia) e o torna imune à crítica exatamente no que ele diverge de todos os demais. O PL reproduz ideias da IHRA (International Holocaust Remembrance Alliance) – entidade definida pelo jornalista judeu brasileiro Breno Altman como “instrumentalizada para confundir antissionismo com antissemitismo e silenciar críticas a Israel”. O caput do Artigo 2º revoga trechos da Bíblia ao excluir da condição de povos semitas quem não for hebreu, impondo que: “Antissemitismo é uma determinada percepção sobre os judeus, que se exprime como ódio em relação aos judeus”. Árabes, palestinos, amoritas, assírios e fenícios estão desclassificados como descendentes de Sem, contrariando o descrito pelos textos bíblicos em Êxodo 16. O PL 1424/2026 é uma ode ao racismo, e uma mordaça imoral às críticas contra os atos de terrorismo praticados pelos governantes de Israel.

