Posts

Sete dias de intensas expectativas, articulações e tensões

Por Enio Lins 28/03/2026

NO SÁBADO, 4 DE ABRIL, fecha-se a porta na cara de quem precise renunciar a cargos para se habilitar ao pleito 2026. Em Alagoas, serão sete dias de pura adrenalina. Em 2022, o quadro era diferente. As principais decisões estavam tomadas, sacramentadas. Apenas se esperava, na semana derradeira, as renúncias previstas há mais de um ano. Era líquido e certo que o governador Renan Filho deixaria o cargo para se candidatar ao Senado. O vice-governador, Luciano Barbosa, havia renunciado dois anos antes, em 2020, para concorrer à prefeitura de Arapiraca. Na capital alagoana, o prefeito JHC estava no meio do primeiro mandato e nem pensava em se levantar da cadeira. Restavam questões sobre o mandato-tampão, mas a solução estava costurada em torno do nome de Paulo Dantas.

NESTE ANO, INCERTEZAS 
prometem ser esticadas até o derradeiro momento. Independentemente das combinações apalavradas, seladas e rubricadas, a data fatal – 4 de abril – paira sobre os pescoços das candidaturas como a Espada de Dâmocles balançava, pendurada sobre o trono de Dionísio de Siracusa. Todos os acordos apalavrados, selados e rubricados sobre quem renuncia e quem não renuncia podem ser rompidos, cortados ao meio pela lâmina de qualquer desentendimento de última hora. E são três as posições estratégicas em compasso de espera, canetas engatilhadas, cada uma pronta para assinar o ato de renúncia ao cargo ocupado, mas aguardando o átimo de segundo antes do apito final: JHC, Ronaldo Lessa, Paulo Dantas.

JHC TEM NAS MÃOS
a decisão mais esperada da temporada. Em verdade, são duas as decisões do prefeito de Maceió ansiosamente aguardadas: 1) se fica ou se sai da prefeitura, habilitando-se a ser candidato, resolução que precisa ser tomada até o final do dia 4 de abril; 2) renunciando, anunciar ao que será candidato, o que pode fazer até, pelo menos, 5 de agosto, quando os resultados das convenções precisam ser registrados na Justiça Eleitoral. O mundo político-eleitoral alagoano vai girar, até essas datas, em torno de João Henrique Caldas, a bola da vez.

RONALDO LESSA ESTARÁ
de olho na decisão de Paulo Dantas. Sem se afobar. Até a finalização do prazo de renúncia, o vice aguardará o governador de Alagoas assinar ou não o afastamento do cargo. Como se sabe, se assumir o governo alagoano por um segundo depois do dia 4 de abril, Lessa não poderá ser candidato a nada em 2026 que não seja à reeleição ao Palácio República dos Palmares. Fontes governistas têm declarado, desde março, que Ronaldo seria candidato ao Senado, e ele não nega disposição de vir a disputar algo – mas não confirma. Com a experiência de quem já ocupou todos os cargos eletivos (menos a cadeira senatorial) em Alagoas, Lessa não tem pressa.

PAULO DANTAS AFIRMA,
desde sempre, que ficará governador até o final de seu mandato. Firme e sereno, reafirma esse compromisso toda vez que é interrogado sobre o tema. Mas essa pergunta ronda-o sem cessar, mesmo quando não é pronunciada em alto e bom som, por uma razão simples, de incontornável obviedade: como um político que governou um Estado por seis anos vai deixar um posto de tamanha relevância para mergulhar no nada sem esboçar reação? Ah, mas pode vir a ocupar depois um cargo comissionado importante: sim, pode. Ah, mas pode ser candidato a prefeito da capital em 2028: sim, pode. Ah, ele é jovem e pode esperar quatro anos para ser candidato de novo: Pode? Não sei se deve. O senso comum indica que, salvo exceções (Getúlio, Lula, Jair...), “rei posto, rei morto”. O esquecimento está na esquina, foice empunhada.

E RENAN FILHO?
Sua desincompatibilização, obviamente, não faz parte da lista das grandes expectativas, até porque ele pode sair e voltar, caso mude de ideia. E ainda tem quatro anos de Senado para gastar. Está pronto para qualquer alternativa.

Charges