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Uma polarização que tem salvado a Democracia

Por Enio Lins 19/03/2026

CELEUMA DESNECESSÁRIA essa sobre as pesquisas de intenção de voto para a presidência da República. Jornalistas, analistas, políticos, cartomantes, militantes e afins se assustam, alegram-se ou entristecem-se, com a “grande novidade” do empate previsto para o segundo turno, entre o presidente Lula e o representante do bolsonarismo. Sentimentos de quem aposta na emoção e não na razão como base de avaliação. Porém, como no título do livro de Erich Maria Remarque, replicado num filme homônimo: “Nada de novo no front”.

EM 2022, LULA VENCEU no segundo turno com 50,90% contra 49,10%. Meio a meio. O que mudou de lá para cá? O Brasil melhorou muito. Avançou econômica e socialmente, recuperou a dignidade internacional perdida entre 2019 e 2022, alcançou o feito histórico de julgar e punir golpistas poderosos – mas metade do eleitorado segue quimicamente dependente de um mito infame. Jair B, um criminoso contumaz, falseador incontrolável, continua com o mesmo domínio de massas como há oito anos, quando se transformou de um bufão regional em um bufão nacional. Hoje, detrás das grades, rege sua orquestra com a força hipinotóxica do Flautista de Hamelin. No bico, faz marchar seus mais de 49% de votos para quem bem queira, no caso, o filho e cúmplice Zero-um.

AOS FATOS, POR FAVOR: em 2019, o Brasil desabou, caiu do grupo das 10 maiores economias do mundo e penou fora dessa lista durante toda a presidência bolsonarista. Informa a Wikipédia: “O Brasil (...) no ano de 2005, era a 14.ª maior economia do mundo; em 2011, após um crescimento de 7,5% advindo do ano anterior, o maior em 24 anos, desde 1986, ultrapassou o Reino Unido e tornou-se a sexta maior economia mundial. Após crises posteriores, o país saiu do ranking das dez maiores economias entre os anos de 2019 e 2021, quando ficou no 13.º lugar. Porém, devido ao crescimento econômico em 2023, a economia brasileira é a oitava maior do planeta, segundo o FMI”. Pois é, o velho Brasil, humilhado no período 2019-2022, voltou ao time dos grandes no terceiro governo Lula. Esse tremendo sucesso não reduz um do ódio que inspira no bolsão bolsonarista, que contamina quase 50% do eleitorado brasileiro. É a realidade: Uma tragédia cidadã que não pode ser negada nem temida, e sim enfrentada.

AFLORAM AQUI E ALI campanhas do tipo: “o país está dividido”, “essa polarização não pode continuar”, associadas a uma recomendação bem-intencionada: “esqueçam Jair, não batam em cachorro morto”. Ora, Jair vai morrer um dia, como todo mundo morre, lógico. E, para amealhar a compaixão alheia, Jair espalha, dia após dia, que está às portas da morte. Ele é muito vivo. E o bolsonarismo seguirá atormentando o Brasil mesmo depois de, como diria Chicó no Auto da Compadecida, o capitão de milícias ter “cumprido sua sentença e se encontrado com o único mal irremediável, aquilo que é a marca de nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo morre”. Vivo ou morto, o condenado Jair B, enquanto aprisionar, pelo menos, cerca de 30% das intenções de votos, seguirá sendo uma ameaça real e fatal à Democracia, à Ética, à Lei e à Ordem. Se for beneficiado pela comiseração humana, ultrapassará (ele ou algum herdeiro dele) a faixa dos 50% dos votos, como no crime cometido contra a Nação em 2018.

COMBATER O BOLSONARISMO é obrigação democrática, trabalho cotidiano, atitude patriótica. Pelo futuro da Democracia no Brasil, a imagem de Bolsonaro precisa ser repelida diuturnamente, esteja ele preso na Papudinha, numa UTI, solto, ou numa cova. Porém, o eleitorado contaminado pelo mito não pode ser combatido como se fosse igual ao vírus que lhe infectou. Essa é a política do Jair: fazer que 58,2 milhões de pessoas que nele votaram sejam consideradas gente tão criminosa quanto ele e sua família. Nada disso. Dialogar com quem vota em Jair B é tão importante quanto atacar a escatológica figura.

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