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Cenários alagoanos que passam pelo prefeito de Maceió
JHC ESTÁ COM A BOLA TODA. Resta decidir em qual marca do pênalti vai colocar a pelota. Tem as duas traves para escolher uma como alvo, e só deve chutar no último momento. Se avexe não, amanhã pode acontecer tudo, mas o “inclusive nada”, da canção de Flávio José, não existe neste caso. Pois até se JHC optar por ficar fora de campo, permanecendo na prefeitura, seguirá sendo jogador decisivo nesse certame.
É O JOGADOR MAIS IMPORTANTE nessa altura do campeonato. Qualquer decisão do prefeito de Maceió forçará recomposições nas escalações dos principais times, sim. Mas, apesar de sua proeminência individual, não é o craque mais poderoso em campo. Outras feras, até com mais musculatura, passeiam pelo gramado, cercando-o, umas o querendo no próprio time, outras tentando o tirar do gramado ou, por incrível que possa parecer, empurrá-lo para o lado adversário. Inegavelmente, JHC é a bola da vez.
MARCELO VICTOR É O MAIS PODEROSO jogador nesse campeonato. O presidente da Assembleia, candidato à Assembleia, não disponibiliza seu nome para voos majoritários. Mas ocupa a posição mais privilegiada no gramado. Ele distribui o jogo, põe a bola nos pés dos outros, cria oportunidades, ajeita as condições para os gols – e faz isso como um maestro, e há muito tempo. Seu tom se impõe a partir das tessituras proporcionais. De um projeto detalhado para a ocupação das 27 vagas no Legislativo estadual, são costurados os demais espaços, inclusive os majoritários, lógico. E, até agora, queiram ou não queiram os adversários (quais?), seus movimentos táticos têm se encaixado como peças num relógio suíço. JHC poderá ser uma pedra nesse mecanismo?
RENAN CALHEIROS É CRAQUE, o mais experiente de todos, e seu foco central é majoritário. Sua estratégia 2026 expõe uma flexão tática ousada, baseada numa composição imprevisível há dois anos: Renan Filho para governo; ele e JHC em tabelinha para o Senado. As chapas proporcionais, para Calheiros, são consequências da arrumação no topo da pirâmide, decorrem do preenchimento das quatro vagas majoritárias, contando a vice. Se der certo seu atrevido desenho da aliança com JHC, Marcelo Victor e Paulo Dantas, abalará a hegemonia das forças conservadoras na capital alagoana, trincando a solidez eleitoral demonstrada nas recentes duas eleições gerais (2018 e 2022), e nas duas eleições municipais (2020 e 2024), quando os votos maceioenses pularam com força para os bolsos bolsonaristas. Não é fácil materializar o arquitetado por Renan, os obstáculos são grandes, mas é um projeto brilhante.
ARTHUR, ALFREDO E DAVINO, com trajetórias diferenciadas, exibem invejáveis performances individuais, mas não formam um grupo coeso. Os três apresentam-se ao Senado. Nenhum, de saída, quer embarcar na canoa com destino ao governo do Estado. Porém, sem um nome competitivo para essa vaga, fica comprometida a viabilidade senatorial. Arthur Lira, o estrategista mais taludo da tríade, aposta na sua capacidade de pressão nacional para conduzir JHC até a candidatura ao Palácio República dos Palmares. Arthur joga consciente de que essa tese agrada a quem, na atual frente governista, considera o prefeito de Maceió um acréscimo indesejável, seja por ocupar uma cadeira cobiçada, seja por sua chegada ao grupo tornar a campanha de Renan Filho ainda mais forte, reduzindo o poder de negociação interna entre velhos aliados.
RENAN FILHO, PAULO DANTAS E RONALDO LESSA serão temas para próximos artigos, mas ulula que, dentre os três, apenas Renan Filho acelera numa estratégia firme e pré-definida. Dantas trabalha para ser candidato, embora jure que não. Mira no Senado. Mas, por segurança, tem, pelo menos, duas vagas reservadas para a opção Câmara Federal. Depende, obviamente, da renúncia de Lessa – mas essa é pauta para outro dia.

