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8 de março: um dia de luta que deve ser todo dia
CÁRMEN LÚCIA DANTAS, ELAINE PIMENTEL, FÁTIMA PIRAUÁ são as três palestrantes anunciadas para o debate “A História dos Direitos das Mulheres”. O evento está confirmado para segunda-feira, 9, às 14 horas, no Centro de Cultura e Memória do Tribunal de Justiça de Alagoas. Promoção muito bem-vinda, assinada pelo Poder Judiciário e pela Casa da Mulher Alagoana Nise da Silveira, sob a coordenação da advogada Paula Lopes. Seja pela temática, seja pela tríade feminina e feminista escalada, é um acontecimento que merece ser gravado e disponibilizado ao público.
UMA AULA MAGNA, indispensável, sobre a evolução do direito da mulher. Tema permanente para debate, para mobilização. O avanço dos ditos meios de comunicação de massas, cujo espalhamento foi elevado à enésima potência pelas redes sociais, exibem a cada dia a escandalosa realidade de opressão, de violências de todos os tipos cometidas, em todas as camadas sociais, por homens contra mulheres. O feminicídio se apresenta com todo o seu horror e sua extensão, muitas das vezes em cenas reais, cruas, captadas em sua covardia milenar pelas câmeras dos incontáveis sistemas de segurança eletrônica, crimes fatais cometidos em ambientes públicos e privados.
DENUNCIAR ESSES FATOS é atitude indispensável. Analisar essas ocorrências, as quantificar, as qualificar, são procedimentos igualmente imprescindíveis e tais dados precisam ser usados exaustivamente para ampliar a mobilização de toda a sociedade contra tal medonho estado de coisas. Esse tema, sem dúvida, precisa ser abordado em todos os formatos: artigos, reportagens, seminários, palestras, panfletos, postagens... com a intensidade exigida pelos perigos e tragédias recorrentes que insistem em povoar a sociedade em todos os lugares do mundo. Assassinos de mulheres, infelizmente, seguem sendo personagens perenes da história, inclusive no quesito “matadores em série” – como Jack, o Estripador, atuante em Londres, no ano de 1888, e que virou símbolo do feminicídio impune e da impotência policial para esse tipo de crime odiento.
EM ALAGOAS, A LUTA pelos direitos da mulher tem uma bela história. História viva, pulsante. Focando no recorte do início dos anos 1980, tempo marcado pela organização de entidades feministas combativas, não se pode esquecer do pioneirismo de lideranças como Alba Correia, Taís Normande, Ivanilda Verçosa, Maria Ivone, Selma Bandeira, Ibelza Moura, Noraci Pedrosa, Wedna Miranda, Jarede Viana, Cida Oliveira, Genilda Leão, Kátia Born, Inês Santos, Albertina Argolo, Vanda Menezes, Fátima Oliveira, Vera Romariz, Solange Viégas, Ana Áurea, Nide Lins, Solange Jurema, Fátima Medeiros, Graça Gurgel – e tantas outras mulheres notáveis, como Cármen Lúcia Dantas, Elaine Pimental e Fátima Pirauá. Luta que segue, lutas que precisam ser reforçadas, ampliadas. Radicalizadas.
COMO LEMBRANÇA COLHIDA no baú dos tempos, merece destaque um caso emblemático de violência contra a mulher, ocorrido em Alagoas em meados dos anos 80, quando Maria Lúcia de Souza, dona de casa e trabalhadora rural no município de Messias, foi marcada no rosto, com ferro em brasa, nas iniciais MGSM. As letras significavam “Mulher Galheira Só Matando”. O marido criminoso achava que a esposa poderia o estar traindo, e, na dúvida, “apenas” a marcou com um instrumento fabricado por ele mesmo, para lhe causar uma humilhação eterna. Liderada por Taís Normande, a União de Mulheres de Maceió resgatou e acolheu a vítima, providenciou a cirurgia plástica restauradora (realizada gratuitamente pelo cirurgião plástico Ronaldo Leão) e, depois do restabelecimento da moça, cuidou de a deixar longe da área da ocorrência, noutro Estado, em local de sua escolha, onde passou a viver quase em clandestinidade, pois o risco de morte continuava real. O agressor passou um tempo preso, depois ganhou a liberdade. O quanto mudou da vulnerabilidade feminina desde então?

