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Se confirmado, grande avanço para a Democracia em Alagoas
MUITO SE FOFOCOU sobre a presença do prefeito de Maceió junto ao presidente da República, durante recente evento na capital alagoana. Mas, nada de novo no front. Apenas duas coisas confirmadas: 1) a atitude diplomática, institucional, indispensável para quaisquer representantes públicos, a ser preservada sob todas as condições; 2) a aproximação, além dos protocolos cerimoniais, entre forças políticas que se combateram há menos de dois anos, quando das eleições municipais de 2024. Mas muito magoou os corações bolsonarianos, posto JHC ainda estar filiado ao PL.
NADA DE ESTRANHO: JHC não é bolsonarista, repito. Nem ele nem os demais expoentes de sua família, como o seu pai, ex-deputado federal João Caldas, ou sua mãe, senadora Eudócia Caldas, ou sua avó, a saudosa Dona Quiterinha (prefeita de Ibateguara entre 1997 e 2000), ou sua tia Marluce Caldas (ministra do STJ), jamais foram de extrema-direita, ou defenderam qualquer uma das teses que marcam política e ideologicamente o gado seguidor do ex-capitão, golpista hoje hospedado na Papudinha. Não são os Caldas de esquerda, isto é certo, mas entre a destra e a canhota existem mais posicionamentos que supõem as vãs filosofias reducionistas sejam de direita, de esquerda, ou do centro.
SE JHC DECIDIR, juntamente com seu grupo, desligar-se da legenda a qual – por força das circunstâncias – está filiado, e se compor junto às siglas antibolsonaristas, isto será muito benéfico para a Democracia, num momento em que o gangsterismo político insiste premiar bandidos condenados como Jair B com anistias abertas ou disfarçadas, e marcham para ampliar perigosamente seus espaços no Congresso Nacional. Por isso, a foto de JHC junto a Lula fere as pupilas sensíveis patriotárias. E machuca também outras visões míopes (ao centro e à esquerda) incapazes de enxergar a importância de uma ampliação, a mais generosa possível, das frentes políticas contra o autoritarismo bolsonarista.
SE CONFIRMADA, a composição entre os grupos Caldas e Calheiros será o lance mais ousado, e mais positivo, em qualquer Estado brasileiro, no enfrentamento aos golpistas do mito para as batalhas de 2026. Uso aqui os sobrenomes para chamar a atenção para o que quero dizer, mas todo mundo sabe que estão envolvidas muito mais forças, com ou sem sobrenomes famosos nas Alagoas. Não se esqueçam de que Maceió foi a única capital nordestina onde Jair, o bandido, hoje presidiário, obteve mais votos que Lula na eleição presidencial de 2022. Uma vergonha a corrigir, um perigo a eliminar.
NÃO SERÁ FÁCIL, entretanto, a migração de JHC. Há quem quer que ele não saia, há quem quer que ele não chegue. Desde o final das eleições 2024, muita gente tem investido para que os palanques, num e noutro lado, não sejam desarmados. Isso interessa simultaneamente ao bolsonarismo como um todo e a alguns democratas com visão estreita. Esses dois grupos têm apostado pesado na não concretização desse movimento de grande valor estratégico. Recentemente, a divulgação de uma notícia falsa numa prestigiada coluna política de circulação nacional – falando sobre um suposto atrito entre o senador Renan e JHC ocorrido numa reunião social – comprovou a existência gente de alto prestígio interessada no impedimento dessa frente democrática. A dita nota, entretanto, confirmou a crescente proximidade entre Renan Calheiros e João Henrique Caldas, pois o encontro foi reafirmado pelo anfitrião, que negou qualquer atrito ocorrido na noitada. E, digo eu, caso tivesse existido a rusga, seria decorrente de ajustes num acordo firmado antes, compromisso não desfeito até agora.
JHC É BEM-VINDO no campo democrático, seja para as eleições 2026, seja para o futuro. Devem ser eliminadas as condições que o levaram para uma sigla comprometida com o autoritarismo. Lá nunca foi o lugar dele.

