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O Pilar da valorização histórica, cultural e arquitetônica
UMA ÓTIMA NOTÍCIA: Crescem exponencialmente, em muitas cidades alagoanas, as iniciativas de preservação, restauração e requalificação de imóveis de valor arquitetônico e histórico, e de valorização do patrimônio cultural local. Infelizmente, muita coisa já se perdeu, no passado próximo, sob as marretas do descaso, como as muitas vilas operárias, e a fantástica Cadeia Velha e o Hotel Bela Vista, em Maceió.
FÁTIMA REZENDE, prefeita do Pilar, recebeu, há dois dias, a equipe do Patrimônio Histórico de Marechal Deodoro, e, pessoalmente, acompanhou a turma enviada pelo prefeito deodorense André Bocão num roteiro cultural/arquitetônico. Trajeto iniciado no Museu Escola de Música Mestre Valentim e finalizado no mirante onde estão localizadas as estações da Via Crúcis (criadas pelo genial capelense João das Alagoas), a imagem gigante de Nossa Senhora do Pilar e as obras do Cristo Redentor, passando pelo Cine Pilarense e pela Casa de Cultura Arthur Ramos, dentre outros marcos. Vamos aqui pinçar uns três desses pontos para comentar.
NO MUSEU-ESCOLA MESTRE VALENTIM está exposta a coleção de mais de 40 instrumentos musicais tradicionais de 15 países (cítaras, alaúdes, harpas, flautas, tambores....), peças raras garimpadas pelo pilarense Reinaldo Araújo (residente em Brasília) em suas viagens pelo mundo. O acervo foi doado mediante o compromisso de ficar à disposição do público em local apropriado – e assim, foi instalado num casarão reformado e requalificado, preservando suas características arquitetônicas principais, em projeto do arquiteto Rafael Santos. O endereço abriga museu, escola de música, auditório, além de expor peças do patrono, Mestre Valentim, como partituras de sua autoria. O projeto contou com a parceria da deputada Fátima Canuto para ser viabilizado.
CINE PILARENSE, ocupante de uma sólida edificação em estilo protomoderno, é outra referência importante. Restaurado com seus elementos decorativos próprios da fase anterior à Arquitetura Moderna Brasileira, tem uma longa história de serviços prestados à Sétima Arte desde os tempos do cinema mudo, e suas projeções acompanhadas por solos de piano. Passou por diversas fases, incorporando, como era praxe, provavelmente nos anos 60, um palco que o gabaritava para funcionar como cine-teatro. Todos esses elementos foram preservados no trabalho de revitalização do imóvel, que voltou a cumprir sua função como ponto para projeções cinematográficas e apresentações teatrais e musicais.
ARTHUR RAMOS, filho do Pilar, um dos maiores intelectuais brasileiros de todos os tempos, teve preservada sua residência. No imóvel, em estilo neoclássico típico da virada dos anos 1800 para 1900, estão reunidas referências culturais marcantes para o município, como objetos dos folguedos populares (como o originalíssimo Boi que usava um crânio bovino verdadeiro e que era enterrado solenemente no encerramento do ciclo anual de apresentações), faz um justo registro ao grande folclorista Ranilson França, nascido na Chã do Pilar, o maior dos pesquisadores das artes populares no final do século passado. A Casa da Cultura Arthur Ramos, localizada na avenida homônima, também acolhe uma biblioteca e objetos de época, além de obras de artistas plásticos locais, e lembranças do combativo deputado Rubens Canuto, importante líder da resistência democrática contra a ditadura militar em Alagoas.
PARABÉNS PARA O PILAR, para a prefeita Fátima Rezende, para seu antecessor Renato Filho e para a deputada Fátima Canuto (fiel às suas raízes familiares), dentre tantas lideranças expressivas na cidade de Costa Rego, Antônio Sapucaia e outras figuras ilustres. E, como diz a canção de Jararaca e Augusto Calheiros: “Inda ontem vim de lá, do Pilar/ Já tô com vontade de ir por aí”.

