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2026 deveria ser o Ano Musical Patativa do Norte

Por Enio Lins 09/01/2026

AUGUSTO CALHEIROS, o mais popular cantor brasileiro nos anos 30 e 40, morreu em 11 de janeiro de 1956. Completa sete décadas neste ano. Como é praxe, lustros (intervalos de cinco anos) e décadas são marcos para celebrações especiais avivando a memória de fatos e/ou pessoas importantes para uma comunidade.

FALANDO EM EFEMÉRIDES, 
2026 marca também 135 anos – 27 lustros, portanto – do nascimento do grande artista, que veio ao mundo no dia 5 de junho de 1891, em Murici (existe uma versão de que teria sido em Maceió, menos considerada). Temos, neste ano, portanto, dupla oportunidade para festejar a vida e a obra do Patativa do Norte. Datas que, na mística cronológica, só se repetirão daqui a 10 anos (80º ano da morte) ou daqui a cinco anos (140º aniversário de nascimento). Melhor não deixarmos passar essa chance especial, dobrada que nem tapioca.

CLAUDEVAN MELO,
o maior colecionador das lembranças materiais de artistas das Alagoas, tem imenso acervo sobre Augusto Calheiros e terá toda satisfação em participar de uma programação mais ampla, expondo peças de enorme importância sobre o Patativa do Norte, e falando sobre sua trajetória de sucessos. Na verdade, ele fará isso por conta própria, como militância cultural, mas o alcance de uma programação oficial é incomparável. E, lógico, caberá na agenda muito mais gente que pesquise o tema.

ROBSON CALHEIROS, 
muriciense de berço e coração, outro profundo conhecedor da obra do conterrâneo, no comando do IZP, agendou augusta programação nas rádios Educativa e Difusora, e na TV Educativa. Mas precisará de um suporte além do custeio usual para ampliar essa iniciativa. Será necessária mais gasolina para fazer os motores do Instituto Zumbi dos Palmares responderem com a devida aceleração nessa estrada do ano musical Augusto Calheiros. É um momento especial para Alagoas ouvir seu magnífico cantor, o que para muitas gerações será auscultação inédita, talvez até estranha (em termos sonoros) num primeiro momento. Trata-se de numa ação verdadeiramente educativa.

NUM RESUMO RÁPIDO, 
adiantamos aqui e agora alguns dados, colhidos no site do principal crítico musical brasileiro, o alagoano (de Penedo) Ricardo Cravo Albim: “[Augusto Calheiros] Tornou-se conhecido como ‘A Patativa do Norte’ por sua voz afinada e estilo peculiar de interpretação. Foi convidado [no Recife] a ser o cantor do grupo formado pelos irmãos Luperce (bandolim), João (bandolim), Romualdo Miranda (violão), Manoel de Lima (violão) e João Frazão (violão). Por sugestão do historiador Mário Melo foi escolhido o nome de ‘Turunas da Mauricéia’, em lembrança aos tempos do domínio holandês e do governo de Maurício de Nassau. Em 1927, os Turunas chegavam ao Rio de Janeiro (...). Cantavam emboladas e cocos, ritmos até então desconhecidos na cidade, e trajavam roupas sertanejas, com chapéus de abas largas erguidas na frente, onde se podia ler: ‘Guajurema’, ‘Riachão’, ‘Periquito’ e ‘Patativa do Norte’. (...) Suas apresentações na Rádio Clube marcaram época. A embolada “Pinião”, de sua autoria e Luperce Miranda (...), foi cantada em toda a cidade, constituindo-se em grande sucesso do carnaval de 1928”; (...) “Em 1938, gravou com [o alagoano} Jararaca e Zé do Bambo os rojões ‘Do Pilá’ e ‘Engenho Moedô’, de autoria dos três (...); Em 1945, gravou o samba ‘Senhor da Floresta’, de René Bittencourt e a valsa ‘Bela’, de sua autoria. No ano seguinte, gravou o samba ‘Meu ranchinho’, de Miguel Lima e a valsa ‘Dúvida’, de Luiz Gonzaga e Domingos Ramos. Por essa época era um dos campeões de vendagens de discos”.

RICARDO CRAVO ALBIN
explica mais sobre Augusto Calheiros em seu Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Visite. E ouça músicas de Augusto Calheiros no Youtube. É fácil e grátis. Pra facilitar seu serviço, mando aqui três links para você escutar, sem escalas, o Patativa do Norte cantando O Senhor da Floresta, Pinião e Do Pilá.

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